O garoto senta-se diante da mesa na sala de jantar.  Seu prato de comida, pouco abaixo da linha de seu queixo, tem uma porção de folhas e talos verdes. Ele pergunta para sua mãe:

– O que é isto?

– Brócolis. É uma delícia.

– Não gosto. Não quero!

Seu pai entra na conversa:

– Como você sabe que não gosta se nunca experimentou?

Se você já foi criança, ou educa uma, provavelmente se lembrará de cena parecida. Os brócolis estão entre os alimentos mais saudáveis de qualquer dieta sensata: fonte de vitaminas e sais minerais, eles são ótimos para regular a função do intestino, sendo ainda fonte de cálcio e potássio – o primeiro fortalece os ossos e o segundo ajuda a controlar a pressão sanguínea.

Com todas estas qualidades, você não vê um palhaço fazendo propaganda de brócolis na TV. É por isso que, se você perguntar o que aquele garoto deseja comer, a resposta será um superlanche alegre, repleto de sódio, conservantes, aromatizantes e corantes – como nunca antes se ingeriu na história deste país.

Sobre os brócolis não existem patentes de produção e franquias de distribuição. Quem compra uma porção de brócolis não se serve dela imediatamente: é preciso lavar, temperar e, muitas vezes, cozinhar no vapor para aumentar os benefícios do combate ao colesterol. Já o sanduíche de carne moída prensada vem prontinho para ser devorado. Quanto mais devorado rapidamente melhor, pois a mesa fica vaga para o próximo cliente.

Com investimentos e aplicações bancárias ocorre algo semelhante. Bancos contratam galãs e mocinhas das novelas para divulgar seus produtos sofisticados de capitalização, cheque especial, cartões de crédito ou débito, atendimentos personalizados e serviços digitais. No lugar do sódio e dos conservantes vem a letrinhas miúdas dos contratos padronizados, com baixos rendimentos para quem deixa o dinheiro no banco e lucros altíssimos para quem paga o cachê dos bonitinhos.

O apresentador de TV, que passou anos divulgando um grande banco privado, agora é visto defendendo a maior corretora da praça, com suas taxas reduzidas e uma grande prateleira de acesso a produtos de renda fixa e fundos com alto custo de administração. A corretora oferece acesso ainda aos investimentos em renda variável, embora ninguém toque no assunto diretamente nas campanhas midiáticas.

Nada contra as redes de fast-food, bancos e corretoras. Acreditamos no capitalismo e toda a publicidade devidamente regulamentada é válida para manter os negócios – e os empregos – ativos. Só não podemos orientar nossos passos apenas pela influência externa que recebemos diariamente nestes meios de comunicação.

Em suma, confiar em pais que sabem do valor nutritivo dos brócolis é tão importante como ter senso crítico para saber investir com bons retornos. Para investir com bons retornos defendemos uma salada de empresas de capital aberto que pagam dividendos regularmente, bem como fundos de investimentos imobiliários, cuja função primordial é prover rendimentos mensais que preservem o capital investido.

O cartão do banco chega pelos correios após um telefonema, quase pronto para você usar: bastar liberar seu uso num caixa eletrônico. Ironicamente não existem caixas eletrônicos para comprar ações de empresas ou cotas de fundos imobiliários. Você precisa fazer isso por conta própria, cozinhando em seu próprio fogão, ou seja, através de seu Home Broker.

Para quem não tem a verve de empreendedor, a forma mais saudável e segura para investir com retornos acima da média, no longo prazo, é através da Bolsa de Valores. Porém, não espere ver uma propaganda na TV sobre isso. Antes de um filme começar no cinema, nenhum ator famoso vai caminhar por um campo, fazendo de conta que conversa com você sobre usar a estratégia dos dividendos para obter uma aposentadoria realmente eficaz.

Quem planta brócolis não paga esse tipo de cachê. Quem opera na Bolsa, sendo adepto do Value Investing, também não.

Lembra-se do garoto na sala de jantar? Imagine que ele cresceu e descobriu os benefícios de investir na Bolsa de Valores. Já recebendo uma boa renda passiva mensal, ele resolve conversar com seu pai sobre o assunto – a Bolsa de Valores:

– O que é isto?

– É o melhor lugar para investir a economia mensal.

– Não gosto. Não quero!

– Como você sabe que não gosta se nunca experimentou?

O diálogo hipotético, mas verossímil, mostra que a história pode se inverter entre pais e filhos, expondo a dificuldade que muitos possuem em abordar um tema que parece tão complexo num primeiro momento. Nestas horas, é preciso não se comportar como um crente fervoroso, querendo apresentar sua fé para um estranho, levando uma porta na cara.

Felizmente existe cada vez mais gente falando sobre a Bolsa e bons livros começam a povoar as melhores livrarias do país. Uma boa pedida para introduzir alguém querido ao tema dos investimentos em renda passiva, é justamente lhe oferecendo um presente em forma de livro, mais precisamente o Guia Suno Dividendos, disponível na Livraria Cultura, na Amazon ou diretamente no site da Editora CLA.

Neste livro não ensinamos a preparar brócolis, mas apresentamos os principais conceitos relacionados com a estratégia de investimentos em dividendos, para vitaminar seu patrimônio em longo prazo.

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Jean Tosetto

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.