bolha imobiliária

Uma bolha imobiliária pode trazer uma série de consequências econômicas arrasadoras para um país e gerar uma crise financeira.

Por isso, antes realizar qualquer tipo de investimento neste mercado, é preciso saber como funciona uma bolha imobiliária.

Bolha imobiliária é como chamamos um aumento brusco nos preços dos imóveis, causado por algum tipo de alteração econômica, política ou social. Como estes novos valores não refletem o preço real do imóvel, essa bolha tende a “estourar”, fazendo com que os preços também caiam substancialmente em um curto período de tempo. Muitas vezes, os preços podem demorar anos até voltarem ao patamar pré-bolha.

No entanto, nem todo aumento de valor em determinados investimentos implica em uma bolha financeira.

Em alguns lugares, há um crescimento no valor real destes bens.

Na Irlanda, por exemplo, podemos ver uma rápida valorização dos imóveis iniciada em 2015.

Isto que muitas destas casas são antigas e não passaram pelas reformas que justificariam o seu encarecimento.

Esse aumento aconteceu porque grandes empresas de tecnologia mudaram suas sedes europeias para a ilha esmeralda, em busca de melhores vantagens fiscais.

Além disso, a Irlanda não faz parte do Reino Unido, então não passará pelo “brexit”.

Assim, além do grande número de estudantes que o país recebia anualmente, centenas de funcionários destas empresas se mudaram para o local.

Essa migração fez com que a procura por imóveis crescesse, assim como os preços cobrados por eles e ainda não conseguiram atender a demanda.

Esta crise de moradia fez com que a ideia de construir novos imóveis residenciais se tornasse lucrativa, mas ainda nada que se assemelhe ao surgimento de uma bolha.

Neste caso, vemos um crescimento orgânico dos preços.

Bolha imobiliária nos Estados Unidos

bolha imobiliária

O caso de bolha imobiliária mais famosa dos últimos anos ocorreu em 2008 e puxou a economia norte-americana e de diversos outros países para baixo.

A crise começou ainda em 2007, com a falência de um dos maiores bancos de investimento do país, o Lehman Brothers, após 158 anos de história.

Este é o marco do colapso do sistema financeiro norte-americano, também conhecido como crise do subprime.

A bolha imobiliária americana foi causada pelo aumento na facilidade nos financiamentos de imóveis no país, marcado por uma intensa desregulamentação do mercado financeiro.

Investimentos imobiliários tradicionalmente vistos como de alto risco passaram a ser classificados como seguros pelas agências de risco.

Este otimismo fez com que pessoas com renda inferior à adequada e sem grande estabilidade financeira conseguiam financiar seus imóveis com menores taxas e maiores facilidades.

Ou seja, houve um crescimento não apenas de ativos de boa qualidade, mas principalmente do chamado lixo financeiro.

Isso fez com que houvesse um calote coletivo, com milhares de pessoas deixando de pagar seus financiamentos imobiliários.

Para a sua recuperação, o governo local teve de injetar US$ 750 bilhões em seu sistema monetário para conter a crise e recuperar a sua economia.

A bolha imobiliária americana fez com que o mercado financeiro passasse por novas regulamentações. Elas tornaram o crédito mais difícil para proteger a economia.

Bolha imobiliária no Brasil

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Quando trazemos para o cenário brasileiro, podemos dizer que o que passamos uma bolha imobiliária nos últimos anos?

Na realidade, o que enfrentamos no Brasil foi uma crise imobiliária, mas em menor proporção e por causas diferentes da bolha sofrida nos Estados Unidos.

No norte do continente americano, o preço dos imóveis caiu vertiginosamente.

Já em terras tupiniquins, vimos uma estagnação do crescimento que vinha ocorrendo até então.

A crise econômica de fato afetou o mercado imobiliário, mas não foi causada por ele.

Logo, não passamos por uma bolha imobiliária no Brasil.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.