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investindo em BDRs

No mercado financeiro existem muitos termos “técnicos” e siglas que podem muito confundir investidores, principalmente os iniciantes.

Um deles é o BDR, que é a abreviação para Brazilian Depositary Receipt, também citado algumas vezes como Certificado de Depósito de Valores Mobiliários (CDVM).

O BDR pode ser definido resumidamente como um ativo que o investidor brasileiro pode adquirir quando interessado em investir em empresas de fora do país.

Em outras palavras, além de ser uma alternativa para empresas estrangeiras captarem recursos no mercado brasileiro, a listagem de BDR’s possibilita ao investidor comum adquirir no Brasil valores mobiliários lastreados em ativos estrangeiros.

Porém, é necessário que o investidor entenda que investir em BDR’s é diferente de se investir diretamente em ações estrangeiras, pois os BDR’s podem ser comparados a “fundos de investimentos” que possuem ações estrangeiras em seu portfólio.

Dessa forma, caso o investidor deseje se associar a alguma empresa estrangeira como a Apple, por exemplo, ao investir em um BDR que contenha essa ação, esse investidor não se torna, de fato, efetivamente sócio da companhia, visto que, quem adquiriu essa ação da Apple, nesse caso, foi o BDR em questão e não diretamente esse investidor pessoa física.

Normalmente, esses títulos podem ser provenientes do mercado secundário, ou seja, de ativos já negociados em bolsas estrangeiras, ou de novas ofertas públicas das empresas de fora, e são emitidos e negociados por uma instituição autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No Brasil, essa instituição que emite o BDR é chamada de instituição depositária.

Dessa forma, títulos de empresas como Apple, Bank of America, Google, McDonald’s, Microsoft, Amazon, Coca-Cola, Nike, Johnson & Johnson, JP Morgan, Dell, eBay, HP e muitas outras podem ser negociados aqui no Brasil, fazendo com que pessoas comuns possam, através dos BDR’s, estar vinculadas a essas companhias e terem participação, mesmo que indiretamente, em seus resultados.

Cabe aqui destacar que não só empresas norte-americanas podem ser negociadas no Brasil através de BDR’s, mas como empresas de qualquer outro país do mundo.

Os BDR’s geralmente são classificados em diferentes níveis, conforme as características de divulgação de informações, distribuição, negociação e a existência, ou não, de patrocínio das empresas emissoras dos valores mobiliários objeto do certificado de depósito.

A negociação dos BDR’s ocorre de forma equivalente aos demais valores mobiliários brasileiros, como Ações e Fundos Imobiliários, podendo ser transacionados em bolsas de valores ou no mercado de balcão organizado, inclusive através de Homer Broker das corretoras, facilitando assim a sua liquidez.

Vale ressaltar aqui que, apesar de terem os seus valores influenciados pelas cotações das empresas pertencentes ao BDR e também pela variação do câmbio, esse ativo é negociado em  na nossa moeda local, ou seja, em Reais, facilitando, dessa forma, o trâmite para quem deseja participar dos negócios de empresas de outros países, extinguindo-se assim, a necessidade de abertura de conta em instituições estrangeiras e demais questões burocráticas que se fazem necessárias para quem pretende realizar investimentos diretos em outros países.

Outro ponto importante desse ativo é que sua tributação, em termos fiscais, é feita de maneira semelhante às feitas por quem investe em diretamente no mercado mobiliário brasileiro. Neste artigo comentamos sobre como as declarações podem ser feitas.

Ademais, normalmente os BDR’s são divididos em duas categorias: patrocinados e não patrocinados.

BDR Patrocinado

Esse tipo de BDR tem como característica principal o fato de que a companhia de fora do país deve solicitar a uma instituição depositária a sua intenção de ter seus ativos negociados aqui no Brasil.

Dessa forma, para emissão do BDR Patrocinado, a companhia emissora dos valores mobiliários no Exterior deve contratar no Brasil essa instituição depositária, a qual será responsável por emitir e negociar os BDR’s.

Assim sendo, as instituições depositárias podem emitir ou cancelar os BDR’s Patrocinados conforme a demanda dos investidores locais no mercado primário.

Essa repartição do ativo é ainda subdividida em mais três partes, que são os BDR’s patrocinados níveis I, II e III.

Nível I

Os BDR’s patrocinados nível I, para pessoas físicas ou jurídicas, só podem ser adquiridos para investimentos financeiros superiores a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), tornando-se, assim, inviáveis para a grande maioria dos pequenos investidores.

Além dos casos acima, os BDR’s de Nível I, também só podem ser adquiridos no Brasil por determinadas repartições específicas, como instituições financeiras, fundos de investimento, administradores de carteira, consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM, entidades fechadas de previdência complementar, empregados da empresa patrocinadora ou de outra empresa integrante do mesmo grupo econômico.

Portanto, o investimento direto a BDR’s patrocinados Nível I é de acesso bem restrito, não fazendo sentido para investidores comuns e que dispõem de quantias moderadas de capital para investimento.

Níveis II e III

Os BDRs patrocinados nível II e III têm por característica a exigência de registro da companhia emissora na CVM e também serem admitidos para a negociação em bolsa ou mercados de balcão organizado, o que não acontece com o Nível I.

O que difere um do outro é que o BDR patrocinado nível III é registrado na hipótese de distribuição pública simultânea no exterior e no Brasil.

Dessa forma, esses dois níveis são mais interessantes para quem pretende aderir a essa modalidade de investimento.

BDR Não Patrocinado

Diferentemente dos BDR’s Patrocinados, essa modalidade é um programa instituído por uma instituição depositária, que é a responsável pela emissão de certificado, sem um acordo direto com a companhia emissora dos valores mobiliários em questão.

No Brasil, a instituição depositária que emite os BDR’s Não Patrocinados também se responsabiliza por divulgar ao mercado brasileiro as informações corporativas e financeiras das companhias estrangeiras emissoras das ações que estejam sendo utilizadas em seus BDRs.

Essas companhias estrangeiras divulgam suas informações gerais de acordo com as regras a que estão submetidas no seu país de origem e a instituição depositária apenas acompanha e divulga estas informações no mercado brasileiro, para a ciência dos investidores daqui em relação à “saúde” dessas companhias.

Dessa forma, esses BDR são emitidos sem o vínculo direto com as companhias estrangeiras, já que são feitas com ativos que já circulam no mercado de seu país de origem.

Vantagens dos BDR’s

Uma vantagem de investir em BDR’s é a possibilidade de diversificação nos investimentos, visto que, com esse ativo, é possível que o investidor diversifique bem a sua carteira com, além de várias ações outros diversos ativos disponíveis no mercado brasileiro, títulos lastreados em ações de companhias estrangeiras que são negociadas no mercado local.

Outra grande vantagem desse ativo é o fato de não existir a necessidade de se fazer operações de câmbio, nem possuir contas de custódia no exterior ou nem mesmo transferir recursos para outro país para que o investidor possa ter parte de seu patrimônio investido de maneira indireta em ações estrangeiras.

Como investir

Assim como a maioria dos diferentes ativos negociados no Brasil, as BDR’s são negociadas pela BM&FBovespa.

Assim, para se investir no BDR de interesse é necessário procurar um agente intermediário, ou seja, uma instituição bancária ou uma corretora de valores autorizados e regularizados perante à CVM.

Dessa forma, assim como em qualquer outro tipo de investimento, para o investidor que tenha interesse em aplicar em BDR’s, é necessário que se acompanhe de perto o mercado como um todo, com o objetivo de estar sempre se informando melhor e consequentemente conquistando bons resultados em suas aplicações.

Indo além

Como sempre destacamos, nada melhor do que buscarmos aprender com quem tem mais experiencia e apresenta mais sucesso do que nós.

Pois isso, o vídeo abaixo exibe o nosso mentor intelectual, o senhor Luiz Barsi, explicando a sua opinião em relação à investimentos em outros países que não o Brasil.

Acreditamos que não deva ser surpresa para muita gente a opinião do Barsi sobre este assunto, visto que esse senhor sempre deixa claro a sua visão e opinião de que o mercado brasileiro é um mercado de oportunidades.

Para mais informações sobre esse tipo de investimento, recomendamos uma leitura aprofundada do tema diretamente na sessão de BDR’s da BM&FBovespa e também na página do Portal do Investidor.

Informações importantes estão contidas nesses dois links.

Concluindo

Como adeptos e incentivadores de investimentos com bases fundamentalistas e focadas para o longo prazo, concordamos com o senhor Luiz Barsi a respeito de sua opinião sobre o mercado brasileiro ser um mercado de oportunidades.

Por isso recomendamos esse tipo de aplicação, os BDR’s, para aqueles investidores que já apresentam uma carteira de investimento sólida e com uma boa diversificação em seus ativos.

Para os investidores iniciantes, sugerimos que deem preferência ao mercado de capitais brasileiro, que hoje é tão pouco explorado pela população, visto que, dessa forma, esse investidor possa fazer a sua parte e contribuir para que ele seja, como diria novamente o senhor Barsi, um mercado cheio de oportunidades.

Conte com nossos relatórios para auxiliá-lo em suas decisões de investimentos.

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.
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