O balanço patrimonial comumente é tido como a mais fundamental demonstração financeira existente. Ele demonstra como de fato está o patrimônio da empresa, bem como sua posição financeira em um determinado momento.

O termo “balanço” remete ao simbolismo de uma balança com dois pratos, onde num deles se “pesa” a soma dos ativos – que atuam direta ou indiretamente na geração de receitas – e no outro prato se alocam os passivos – que representam as fontes de despesas do empreendimento em questão.

As normas brasileiras, regidas por entidades como o Conselho Federal de Contabilidade, a Comissão de Valores Mobiliários e a Secretaria do Tesouro Nacional, determinam que a elaboração do balanço patrimonial seja mandatória para empresários e sociedades. Estão livres de tal obrigação apenas os microempreendedores individuais.

No caso das entidades sem fins lucrativos, elas não divulgam o balanço patrimonial, mas o balanço financeiro.

Percebam que, ao contrario das demonstrações de resultado do exercício (DRE), o balanço patrimonial se refere a uma determinada data, não a um ano ou um trimestre. As empresas podem gerar um balanço patrimonial em qualquer data do ano.

Por isso, é importante que se considere o balanço patrimonial como uma “foto” instantânea das condições financeiras da empresa naquele momento.

Seguindo a analogia com a fotografia, compreende-se que cenários podem ser melhorados para a composição de uma foto. O que não pode ser feito é a maquiagem da foto após a sua “captura”.

Por exemplo: uma empresa deseja captar um empréstimo em melhores condições de pagamento. Neste caso, seus sócios majoritários podem injetar capital no balanço patrimonial para aumentar as garantias perante as instituições de financiamento. Logicamente os analistas dos empréstimos se valerão da leitura do fluxo de caixa para saber se esta injeção de capital é momentânea ou duradoura.

O que a empresa não pode fazer é alterar dados da constituição do balanço patrimonial, o que os especialistas consideram como “contabilidade criativa” – quando os dados do balanço patrimonial são manipulados explorando brechas nas normas de composição deste documento, adulterando a real situação da empresa.

Estrutura do balanço patrimonial

O balanço patrimonial é dividido em duas partes: a primeira parte trata-se dos ativos da empresa, que podem ser de vários tipos como caixa, contas a receber, estoques e ativo imobilizado.

Em outros termos, os ativos refletem onde os recursos de uma empresa foram alocados, trazendo receita presentes ou futuras para a mesma, em suas operações. Os ativos devem ser geridos para resultarem em fontes de lucros para o empreendimento, se dividindo em duas classes: os ativos circulantes e os ativos não circulantes.

Os ativos circulantes são aqueles que podem ser convertidos em dinheiro de forma rápida, promovendo o giro de capital da empresa. Os ativos não circulantes, por sua vez, estão relacionados aos bens de permanência duradoura de uma empresa, como os investimentos e os itens imobilizados, que podem ser edifícios e máquinas, por exemplo.

Já a segunda parte trata dos passivos e do patrimônio líquido da companhia.

Sobre o conceito de passivo, temos dois tipos: passivo circulante e passivo não circulante.

O primeiro significa dinheiro devido a pagar no prazo inferior a um ano, nessa conta são inclusas dívidas financeiras, pagamentos de fornecedores, provisionamentos entre outros. Já o passivo não circulante significa dinheiro devido a prazos superiores a um ano.

Já o passivo não circulante significa dinheiro devido a prazos superiores a um ano. São exemplos de passivos não circulantes as parcelas de dívidas de longo prazo – incluindo os juros e taxas contratuais; créditos provisionados para sócios, acionistas e executivos a serem quitados após 12 meses da data do balanço patrimonial; além das debêntures, entre outros compromissos.

Por fim, se pegarmos os ativos e subtrairmos dos passivos, obteremos o patrimônio líquido da companhia, número este que representa a parte que realmente pertence aos sócios da empresa naquele momento.

Segue a formula:

Ativos – Passivos = Patrimônio Líquido

Vamos a um exemplo: Se uma empresa tem R$ 100 mil em ativos e possui R$ 40 mil em passivos obteremos nessa conta, segundo a equação acima descrita, um total de patrimônio líquido de R$ 60 mil.

Estrutura de capital

Para que o investidor obtenha lucros com seu projeto empresarial é fundamental que as fontes de recursos desse negócio tenham um custo menor que a rentabilidade de um projeto.

Não adianta nada uma companhia pegar uma linha de crédito com juros de 15% para tocar um projeto que, nas contas de seus gestores, irá lhe pagar cerca de 12%.

Então se um bom projeto, a luz de uma boa análise de futuros resultados, demonstrar que captar recursos de terceiros (passivos) é viável a fim de obter lucro com o investimento, a companhia poderá captar esse recurso para aumentar a seus lucros.

Outro ponto muito importante de se analisar na hora de fazer uma captação de recursos, é sobre a questão da maturação dos investimentos.

Um exemplo prático disso é quando um empreendedor que atua em qualquer setor deseja comprar uma máquina que será utilizada por muito tempo, nesse caso, não adianta esse empreendedor captar um recurso no curto prazo, pois ele não vai conseguir pagar o novo empréstimo com os rendimentos obtidos com a nova máquina em funcionamento.

Balanço patrimonial na prática

Segue abaixo um exemplo de um balanço patrimonial:

Cabe ressaltar que esses dados são facilmente encontrados nas seções Relação com Investidores dos portais na internet das companhias que possuem o seu capital aberto.

É importante perceber que os ativos circulantes são ativos que podem ser facilmente transacionados num prazo de 12 meses, por isso são listados como circulantes, já os ativos não circulantes, em geral são ativos que não podem ser transformados em recursos líquidos no curto prazo.

Ainda no quadro dos ativos não circulantes, logo abaixo dos ativos permanentes, podemos ver que existe a linha de imobilizado, que nada mais são do que bens necessários para a manutenção das atividades da empresa. Em geral são imóveis e maquinas necessários para a continuidade das operações.

Na linha de passivos temos todos os futuros custos e despesas que a empresa terá no futuro.

Ao contrário do que muitos pensam, passivos não são somente dívidas bancárias, sua abrangência vai bem além disso. Esses podem ser aluguéis, salários e impostos a pagar, entre outros.

Por fim, temos a linha de patrimônio líquido, que nada mais é que a subtração dos ativos pelos passivos, resultando no número ali representado por essa operação.

Exemplo real de balanço patrimonial

Quem investe em ações através das análises fundamentalistas, tem no balanço patrimonial de uma empresa uma ótima fonte de dados realtivos à saúde desta, quando seu capital é aberto e suas informações contábeis são, portanto, públicas.

O primeiro ponto que um investidor em potencial pode avaliar numa empresa é a facilidade com que ele pode obter as informações contábeis da mesma em seu próprio site. Empresas com plataformas digitais mais amigáveis indicam claramente que desejam ter parceiros acionistas para reforçar seu valor de mercado.

No dia 22 de dezembro de 2017 visitamos o site da Itaúsa (http://www.itausa.com.br/), a holding que comanda empresas como Itaú, Alpargatas, Duratex e Elekeiroz, na versão desktop – para computadores de mesa.

Logo vimos numa janela em destaque, no topo da página, o link para descarregar o arquivo compactado do balanço patrimonial em formato de planilha eletrônica. Pela mesma janela baixamos também um documento em PDF, com as demonstrações contáveis completas da Itaúsa no dia 30 de setembro de 2017.

O balanço patrimonial da Itaúsa, referente à mesma data, indica o montante de ativos no valor de 63.215 bilhões de reais. Nesta data os passivos somavam apenas 8.573 bilhões de reais resultando num patrimônio líquido de 54.642 bilhões de reais – sustentando o motivo da Itaúsa em representar um bom investimento para os acionistas minoritários, dado a sua política de distribuição de dividendos.

Ainda no balanço da Itaúsa, tantos as classes de passivos como ativos são mencionadas na forma de tópicos, mencionando as notas explicativas que figuram nas demonstrações contábeis completas.

Por exemplo, no balanço patrimonial, na linha 16 da planilha é informada a soma dos ativos biológicos, no valor total de 1.621 bilhão de reais. Estes ativos estão especificados na nota número 13, onde somos informados que a Itaúsa, através do controle da Duratex e da Caetex Florestal, possui reservas florestais de eucalipto e de pinus, para o fornecimento de matéria prima na produção de painéis de madeiras para revenda.

Já na linha 29 a Itaúsa menciona seus compromissos com as debêntures – passivos que somam 1.242 bilhão de reais que não existiam no balanço anterior, de 12 de dezembro de 2016. A nota explicativa para este item é a de número 16 nas demonstrações contáveis completas, que reproduzimos a seguir:

“Em 24/05/2017 a ITAÚSA efetuou captação no mercado mediante a emissão, em série única, de 12.000 debêntures, não conversíveis em ações, com valor de face de R$ 100 mil cada, com remuneração de 106,9% do CDI, com pagamentos semestrais dos juros e amortização do valor principal em três parcelas anuais e sucessivas, em maio de 2022, 2023 e 2024.”

Se dividirmos o total de ativos da Itaúsa pela soma de seus passivos, veremos que os ativos representam mais de sete vezes o montante dos passivos, o que por si só indica a saúde financeira da holding.

Conclusão

A intimidade com o balanço patrimonial de uma companhia é de suma importância para o investidor, bem como seus sócios em um determinado empreendimento. Ele traz importantes informações sobre as fontes e recursos empregados para o funcionamento da empresa.

Certamente analisar balanços patrimoniais e outros documentos contábeis não é a atividade mais excitante do mercado financeiro, repleto de variáveis que alteram o comportamento dos investidores mais passionais.

Ao contrário: a leitura de balanços patrimoniais pode ser entediante e enfadonha, mas é isso que pode garantir ao investidor a tranquilidade que ele precisa para tomar suas decisões, uma vez que os melhores investidores, que pensam no longo prazo, não estão em busca de aventuras no mercado de capitais, mas do retorno consistente com riscos controlados.

Desse modo, é completamente viável afirmar que a análise do balanço patrimonial, juntamente como dos demais indicadores importantes, é peça chave para os prognósticos necessários para o aumento da rentabilidade de um projeto.

{Publicado originalmente no site da Suno Research em 11 de outubro de 2017. Edição revista e ampliada por Jean Tosetto}

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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