balança de pagamentos
Por: Tiago Reis

Balança de Pagamentos: o indicador das relações econômicas de um país

Todos os meses, o Banco Central divulga publicamente o saldo das transações que o Brasil realizada com o resto do mundo. Todas essas informações são compiladas em uma estrutura conhecida como Balança de Pagamentos.

Por demostrar um fluxo financeiro, a Balança de Pagamentos funciona como um interessante termômetro da economia nacional. Por isso, o seu resultado pode até mesma ajudar o governo a definir políticas econômicas – como a manutenção da taxa de juros, intervenções no mercado de câmbio, variação no valor da tributação, entre outras medidas.

O que é a Balança de Pagamentos?

Em economia, o Balanço ou Balança de Pagamentos é o registro de todas as transações que um país realizou com o restante do mundo. Ela demonstra o quanto de dinheiro entrou e saiu do país em um determinado período.

Esse fluxo não precisa ser necessariamente financeiro – mas também sob a forma de compra e venda de bens, serviços e produtos, doações, empréstimos, investimentos, entre outras operações.

No Brasil, a elaboração da Balança de Pagamentos é feita pelo Banco Central – o órgão responsável por administrar as reservas externas do país. Sua apresentação é anual, mas tendo alguns dados atualizados mensalmente.

Estrutura da Balança de Pagamentos

Basicamente, uma Balança de Pagamentos é composta por duas contas principais:

1. Conta Corrente:

A conta corrente registra as entradas e saídas de capital originadas pelo comércio de bens e serviços. Ou seja, é nela que é registrada o resultado da balança comercial – que compreende a diferença entre exportações e importações.

Além disso, a conta corrente também registra as transferências unilaterais e qualquer outro pagamento que seja dado sem uma contrapartida.

2. Conta Capital e Financeira

Já a conta capital e financeira tem por objetivo agrupar os investimentos, poupanças e transações financeiras realizadas entre o país e o exterior.

Dentre as operações registradas, estão os investimentos diretos (seja de brasileiros no exterior ou de estrangeiros no Brasil), os investimentos em carteira (negociações no mercado financeiro e similares) e as demais operações financeiras.

Também são reunidos na conta financeira as transferências de patrimônio e os saldos compensatórias – como direitos junto ao FMI e órgãos internacionais e empréstimos ou débitos vencidos no exterior.

Além disso, essa conta também contabiliza as reservas internacionais que um país possui, dentro da conta haveres.

3. Erros e Omissões

Além das duas contas principais, qualquer diferença na Balança de Pagamentos que não possa ser identificada é lançada no grupo erros e omissões.

Variação das reservas internacionais e conta haveres

A princípio, a soma das duas contas da Balança de Pagamentos será sempre zero. Porém, qualquer déficit na balança é registrado com o valor positivo na conta haveres – já que esta registra as reservas internacionais do país. Por outro lado, se a balança for positiva, é contabilizado um número negativo nesta conta.

Para exemplificar, suponha que a conta de transações correntes apresente resultado negativo (saída de capitais). Logo, isso significa que o país está financiando esse déficit com recursos da conta financeira. Isso pode acontecer, por exemplo, com a venda de títulos públicos para atrair capital estrangeiro.

Ou seja, para compensar a saída de capital do país, ocorreu um aumento da dívida externa, naquele mesmo valor. Com isso, as reservas internacionais diminuíram.

Como interpretar o resultado da Balança de Pagamentos?

No final das contas, o saldo da Balança de Pagamentos aponta quantitativamente se o país está exportando ou importando capital do exterior.

O superávit na Balança de Pagamentos indica a entrada de capitais do exterior. Ou seja, o país está aumentando suas reservas internacionais e atraindo moeda estrangeira para sua economia. Com isso, a moeda local se valoriza e o câmbio fica mais barato.

Já um resultado negativo – ou seja, um déficit na Balança de Pagamentos, significa que os recursos estão deixando o país. O país está perdendo suas reservas internacionais, o que motiva a desvalorização da moeda local e o encarecimento do câmbio.

Já quando a Balança de Pagamentos não apresenta déficit nem superávit, afirma-se que ela está em equilíbrio. Logo, a quantidade de recursos que entra e sai do país se manteve no mesmo nível.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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