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    Três ações de baixa volatilidade e bons retornos

    Três ações de baixa volatilidade e bons retornos

    Muitos investidores têm receio de investir em bolsa de valores, justamente por acreditarem que investir em bolsa é sempre sinônimo de alta volatilidade e altíssimo risco, onde o investidor pode ver seu patrimônio oscilando de maneira expressiva de um dia para o outro.

    Apesar de existirem, de fato, muitas ações que se comportam de maneira bastante volátil, nem todas as ações são assim, e existem empresas que se comportam na bolsa com maior estabilidade nas cotações, dando mais tranquilidade aos investidores que não gostam de muitas oscilações.

    Na prática, investir em ações de menor volatilidade tende a entregar um retorno mais seguro e constante ao investidor, e esses papéis apesar de não entregarem valorizações muito expressivas no curto prazo, no longo prazo acabam entregando uma boa performance.

    Isso pode ser evidenciado no excelente estudo “The Volatility Effect: Lower Risk Without Lower Return”, de David Blitz e Pim van Vliet, publicado no “Journal of Portfolio Management” em 2007, que analisou e avaliou os retornos de ações pouco voláteis em comparação com as que possuem uma alta volatilidade.

    Os pesquisadores concluíram após os estudos e análises que ações menos voláteis apresentam, geralmente, um retorno maior no longo prazo em inúmeros mercados ao redor do mundo.

    Ou seja, como o próprio título do estudo de David Blitz e Pim van Vliet diz, investir com baixo risco sem um menor retorno, é plenamente possível, apesar de parecer estranho para a maioria.

    Perfil das ações de menor volatilidade

    Identificar ações que possuem uma volatilidade baixa pode não ser uma tarefa tão simples para o investidor que está iniciando no mercado, porém existe algumas características que geralmente estão presentes nestas empresas, os quais falaremos abaixo.

    Geralmente as ações que possuem uma menor volatilidade possuem alguns pontos em comum, como por exemplo, geralmente essas empresas são empresas bastante consolidadas, bem administradas, com bom histórico de lucratividade, fortes geradoras de caixa, pouco endividadas, boas pagadoras de dividendos e principalmente, estão normalmente inseridas em setores anticíclicos, que naturalmente são setores mais previsíveis e menos vulneráveis às crises econômicas.

    Por terem um faturamento e resultados mais previsíveis, e uma menor dependência dos ciclos econômicos, essas empresas costumam entregar resultados positivos mesmo em períodos de crise, inclusive conseguindo crescer nesses períodos de adversidade.

    Como reflexo disso, suas ações sofrem poucas variações e normalmente muitos investidores em períodos de incerteza buscam essas ações para se protegerem da volatilidade.

    Empresas cíclicas geralmente são muito mais voláteis

    Por outro lado, empresas inseridas em segmentos bastante cíclicos, como empresas ligadas ao segmento de mineração, siderurgia ou mesmo construção civil, são empresas que operam normalmente com muita volatilidade, visto que essas empresas acabam tendo grandes efeitos negativos do cenário macroeconômico em suas operações.

    Uma grande empresa conhecida por todos os brasileiros, que apesar de ser uma empresa em geral bem administrada, é uma empresa bastante volátil, é a Vale.

    Por estar inserida no segmento de mineração, as variações nos preços das commodities influenciam drasticamente os resultados da empresa, e dessa forma, conforme o preço do minério de ferro oscila, as ações da empresa também tendem a acompanhar este movimento, além é claro, de ser fortemente vulnerável às crises internacionais, onde a Vale naturalmente acaba exportando menos.

    Para termos uma ideia da volatilidade da Vale, podemos verificar no gráfico abaixo os altos e baixo das ações da empresa na última década.

    Volatilidade das ações da Vale
    Fonte: Economatica – Suno Research

    Após as ações terem atingido cerca de R$ 55 em meados de 2007 e 2008, guiadas por um boom de commodities e uma grande demanda chinesa, as ações sofreram muito com a crise de 2008 e chegaram a cair para menos de R$ 24,00, tendo depois se recuperado, voltando a atingir R$ 51,00 em 2011, quando o minério de ferro atingiu patamares recordes de preços.

    Porém, com a queda de preços do minério, por uma menor demanda chinesa, e uma alta produtividade global da commoditie, a Vale viu novamente suas ações enfrentarem grandes quedas, tendo atingido um patamar de apenas R$ 7,00 no início de 2016.

    Hoje as ações vêm se recuperando de forma expressiva, porém, novos períodos de volatilidade devem ocorrer, em especial se novas fortes oscilações da commoditie ocorrer e o cenário global se deteriorar.

    Três empresas de baixa volatilidade e que entregam bons retornos

    Sabemos que muitos investidores se sentem desconfortáveis com as oscilações da bolsa, e por isso, nada melhor para estes investidores investirem em ações mais seguras, que apresentam menores oscilações e mais estabilidade.

    Pensando nesses investidores, listamos abaixo três empresas que possuem historicamente uma baixa volatilidade, mas ainda assim, entregam ótimos retornos aos acionistas.

    Taesa – TAEE11

    A Taesa é uma empresa que atua no segmento de transmissão de energia, sendo uma das maiores empresas do segmento no Brasil, e um bom exemplo de empresa de baixa volatilidade.

    O segmento de transmissão se caracteriza como um segmento bastante previsível, rentável e menos volátil que os demais segmentos da economia, inclusive segmentos dentro do próprio setor elétrico.

    A Taesa também por ser uma empresa lucrativa e de forte geração de caixa, ao longo do tempo t entregou muitos dividendos aos seus acionistas e a empresa vem pagando mais de 90% de seus lucros aos seus investidores, uma típica característica de empresa de baixa volatilidade.

    Podemos verificar abaixo como as ações da Taesa ao longo do tempo entregaram um retorno consistente, com oscilações pouco relevantes, muito diferente do exemplo da Vale, citado acima por exemplo.

    Volatilidade das ações da Taesa
    Fonte: Economatica – Suno Research

    Comgás – CGAS5

    A Comgás é a maior empresa de distribuição de gás natural canalizado no Brasil, com uma rede de mais de 14 mil quilômetros, que atende mais de 1,7 milhão de consumidores no segmento residencial, em 88 municípios do estado de São Paulo.

    A empresa que é uma forte geradora de caixa e sempre pagou ótimos dividendos, é outro ótimo exemplo de empresa de baixa volatilidade e alto retorno.

    Ao longo do tempo as ações da Comgás tiveram um desempenho bastante atrativo, tendo performado de forma pouco volátil, mesmo em períodos de crise, como vemos abaixo.

    Volatilidade das ações da Comgás
    Fonte: Economatica – Suno Research

    Ambev S.A – ABEV3

    Por fim, não poderíamos deixar de fora dessa lista a Ambev, gigante empresa brasileira, de excelência operacional e que atua no segmento de bebidas, tendo grandes fatias do mercado e um histórico excelente de resultados.

    A Ambev é um exemplo de empresa inserida em um segmento anticíclico que apresenta uma baixa volatilidade, e considerando os últimos anos, dentre empresas líquidas listadas em bolsa, é a que menos apresentou volatilidade.

    A Ambev  apresenta características que citamos anteriormente das empresa de baixa volatilidade: uma grande previsibilidade e recorrência de receitas, o que confere a ela uma maior estabilidade e sustentabilidade de margens e lucratividade.

    Podemos verificar abaixo como a Ambev apresentou uma baixa volatilidade ao longo do tempo, e  mesmo no auge da crise de 2008 por exemplo, no mês de outubro, a Ambev viu suas ações caírem cerca de R$ 4,20 para cerca de R$ 3,40, o que representou uma queda aproximada de cerca de 20%, uma oscilação extremamente menor de outras empresas e da média do mercado, por exemplo.

    Volatilidade das ações da Ambev
    Fonte: Economatica – Suno Research

    Para termos uma ideia, o Ibovespa, mesmo representando a média de inúmeras empresas,  nesse mesmo mês de outubro de 2008 sofreu uma queda de mais de 42%.

    Conclusão

    É importante sempre destacar que, mesmo para empresas sólidas e consolidadas no mercado, é normal que algum nível de volatilidade nos preços negociados naturalmente seja percebido no decorrer do tempo.

    Não é à toa que o nome dessa modalidade de investimentos se chama renda variável.

    Os preços oscilam ao longo do tempo, e não há possibilidade alguma de se conseguir prever como serão essas variações no decorrer do tempo.

    Isto posto, é importante destacar que mesmo as empresas sólidas, anticíclicas e lucrativas, também apresentarão variação na cotação de suas ações ao longo do tempo, embora muito menor que a média do mercado ou que empresas mais arrojadas.

    No entanto, é preciso se ter em mente que investir em empresas com esse perfil que citamos no artigo, se por um lado protegerão o investidor de grandes quedas e oscilações patrimoniais negativas, também tenderão a não entregarem valorizações expressivas, em especial no curto e médio prazo.

    Se imaginarmos que o Ibovespa venha a subir 20% em um mês, é provável que empresas de baixa volatilidade subam muito menos, mas obviamente, que também apresentem quedas menos expressivas em períodos de estresse.

    Na média, porém, o investidor deverá obter uma boa rentabilidade no longo prazo e terá noites mais tranquilas de sono ao confiar o seu capital em companhias que se assemelham as citadas anteriormente.

    Por fim, é preciso que se fique claro que o investidor deve sempre acompanhar o desempenho operacional das empresas que resolveu se associar, justamente para verificar se seus fundamentos continuam sólidos e também para continuar sentir-se seguro com o investimento.

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    Tiago Reis
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    1 comentário

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    • JUBILEU 25 de agosto de 2020

      Pelo que vimos já pode tirar a ambev da lista e colocar um banco como as dicas pra iniciantes clichê

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