Auditoria forense

Cada vez mais frequentes em empresas envolvidas com o poder público, a auditoria forense é uma ferramenta importante para o judiciário.

No entanto, a realização de uma auditoria forense em um empreendimento, se não for preventiva, pode impactar a margem de lucro do negócio.

A auditoria forense é uma ferramenta ligada à contabilidade que busca esclarecer a ocorrência de crimes e atos ilícitos. Ela faz isso a partir da análise das contas e relatórios emitidos por empresas e pessoas físicas suspeitas. Assim, a auditoria forense é comumente requisitada em investigações de casos dos chamados “crimes de colarinho branco”.

Logo, a realização de uma auditoria forense costuma vir acompanhada de uma queda no valor das ações de uma empresa, porque pode implicar em um problema naquele negócio.

É importante considerarmos que a procura por tais serviços se intensificou na última década. Isso por causa dos recorrentes escândalos de corrupção em grandes corporações.

Características da auditoria forense

Auditoria forense

A auditoria forense é um tipo específico de auditoria, diferenciando-se da auditoria independente e da auditoria interna.

Isso porque a auditoria interna é responsável por fazer um controle interno da empresa. O que significa que ela acompanha os mecanismos anticorrupção implantados pela própria companhia.

Esta é contínua e não há a necessidade legal de se fazer o rodízio dos profissionais que atuam nesta área.

A auditoria independente, por sua vez, visa analisar as contas de outras empresas e deve ser feita ao menos anualmente. Em especial para as empresas com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Uma companhia não pode ser auditada pela mesma empresa de auditoria independente por mais de cinco anos consecutivos.

No entanto, se o empreendimento instalar e mantiver um Comitê de Auditoria Estatutário (CAE), seguindo as regras previstas em lei, esse prazo aumenta para dez anos consecutivos.

A mudança foi instituída pela Instrução CVM nº 509.

Assim, uma das diferenças mais importantes da auditoria forense para as suas irmãs está em sua periodicidade.
Isso porque esta auditoria é feita apenas quando há indícios de fraudes nas contas da empresa.

Esta, por sua vez, ocorre por denúncias ou pela análise feita pela auditoria independente.

Realização de uma auditoria forense

Auditoria forense

A auditoria forense geralmente é solicitada pelo Ministério Público, após análise de um inquérito policial. Esta é uma atividade multidisciplinar.

Logo, para realizar uma auditoria forense, a equipe precisa ter habilidades que vão além dos seus conhecimentos sobre números e balancetes.

Isso porque as entrevistas com diretores e funcionários faz parte das suas atribuições. E estas conversas podem demonstrar o que os números tentam esconder, quando maquiados.

O motivo disto está no fato de que nem todas as pessoas que sabem de fraudes cometidas nas empresas nas quais trabalham compactuam com elas.

Em contrapartida, o medo de retaliação por uma delação prévia à auditoria amedronta a muitos.

Assim, as entrevistas são uma oportunidade de os auditores ouvirem detalhes de quem já tinha ciência do crime.

Além das entrevistas, a auditoria forense deve ter:

  • Uma busca aprofundada de informações, incluindo a quebra de sigilos bancários, industriais e fiscais, desde que autorizados por um juiz;
  • Verificação dentro da própria empresa, com avaliação de riscos e comparação de informações;
  • Análise documental;
  • Análise de dados nos computadores da empresa e dos suspeitos;
  • E conciliações de contas e relatórios da companhia.

Todos os dados obtidos serão analisados e cruzados, a fim de se certificar da sua veracidade.

Mais raro de acontecer, ainda que possível, as empresas podem solicitar a realização de uma auditoria forense preventiva.

Neste caso, o objetivo seria obter uma espécie de certificado de segurança, que demonstre sua capacidade de prevenir, impedir e detectar fraudes.

Desta forma, a auditoria forense pode até ser um diferencial de mercado.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.