Por: Tiago Reis

Até os melhores cometem erros

“Podemos adquirir sabedoria por três métodos: Primeiro, por reflexão, o mais nobre; segundo, por imitação, o mais fácil; terceiro, por experiência, o mais amargo.” – Confúcio

 

Quando me perguntam qual é o investidor cujo legado perdurará por séculos, só me vem um nome à cabeça: Benjamin Graham. No próximo século, acredito que ninguém lembrará da guerra que Bill Ackman travou com a Herbalife, ou da aposta de John Paulson contra o mercado imobiliário durante a bolha dos anos 2000, mas o nome de Graham ainda permanecerá na cabeça das pessoas.

Grandes investidores surgem e desaparecem, mas o “Reitor de Wall Street”, como era conhecido Ben Graham, permanecerá na memória dos investidores por muito tempo, pois seus ensinamentos são atemporais.

Seu livro, Security Analysis, publicado em 1934, é referência no universo dos investimentos até os dias atuais e suas lições continuarão sendo aplicadas por tempo indeterminado pelos investidores mais astutos.

Valuation e precificação de ativos

Criador da filosofia de Investimento em Valor (do inglês, Value Investing), Graham tinha uma didática impecável, conseguindo explicar para qualquer um que possuísse o genuíno interesse em aprender como é possível realizar bons investimentos no mercado de capitais.

Entretanto, como todo bom investidor, Benjamin Graham cometeu erros ao longo de sua carreira. Refletindo acerca deste tema, me deparei com um livro bastante interessante, escrito por Michael Batnick, intitulado Big Mistakes: The Best Investors and Their Worst Investments.

No primeiro capítulo do livro, Batnick traz a curiosa história de Graham, que iniciou sua carreira no mercado financeiro em 1914, pouco antes do período em que a bolsa de Nova Iorque ficou fechada por quatro meses. Este foi o período em que a bolsa permaneceu fechada por mais tempo ao longo da história, devido aos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial.

Graham começou por baixo, fazendo entregas de documentos ligados ao mercado de capitais. Devido ao seu intelecto avançado, rapidamente aprendeu muito sobre o mercado financeiro e avançou em sua carreira.

Pouco menos de 10 anos após iniciar sua carreira em Wall Street, Graham abriu sua primeira sociedade de investimentos, em 1923, a Graham Corporation. Nesta sociedade, Graham utilizava técnicas de arbitragem para obter retornos acima da média do mercado.

A operação durou dois anos e, em 1926, Ben abriu a Benjamin Graham Joint Account. No mesmo ano, o investidor obteve retornos de 32%, enquanto o Dow Jones Industrial Average retornou apenas 0,34%.

Com seus retornos astronômicos, o capital, que inicialmente estava no patamar de US$450 mil, após três anos já subira mais de 500%, atingindo a marca de US$2,5 milhões.

Entretanto, os bons retornos estavam com os dias contados. O ano era 1929 e a performance do mercado foi desastrosa. Com a quebra da bolsa, Graham terminou o ano com retornos negativos de 20%.

Em 1930, acreditando que a queda estava chegando em seu final, Graham utilizou da ferramenta de alavancagem para buscar retornos excelentes que nunca foram alcançados. Este foi o pior ano para o criador do Investimento em Valor, que teve uma perda de 50% de seu patrimônio.

Curso Imposto de Renda na Bolsa

Nos quatro anos que ficaram conhecidos como a pior crise do mercado financeiro americano, Ben Graham perdera 70% de seu patrimônio, mas deixara uma grande lição para todos os investidores.

Mesmo os investidores mais inteligentes e capazes apresentarão resultados ruins em alguns momentos, entretanto, no longo prazo, a manutenção da racionalidade na tomada de decisões impulsionará seus retornos no sentido de seus objetivos financeiros.

Sempre que tomar uma decisão errada, lembre-se da história de Graham e aprenda com seus erros. Uma decisão não determinará seu sucesso financeiro e a consistência no longo prazo é o fator mais importante para que seus objetivos sejam alcançados. Todos os investidores cometem erros, o importante é que, na maioria das vezes, suas decisões estejam corretas.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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