valuation
Por: Tiago Reis

As duas abordagens do valuation, segundo Damodaran

As bolsas de valores são um mecanismo interessante. Elas permitem que o investidor troque facilmente seu dinheiro por participações em uma companhia. Assim, o indivíduo abre mão de seu dinheiro, no presente, em busca de somas maiores no futuro.

Segundo o “Papa do Valuation”, Aswath Damodaran, saber o valor de um ativo não é um pré-requisito para sucesso nos investimentos, mas ajuda o investidor a tomar decisões mais inteligentes. No entanto, muitos investidores pensam que o valuation é uma tarefa difícil e complexa, deixando-o completamente de lado. Trata-se de uma ideia equivocada.

Um “postulado” para a realização de um investimento sólido é não pagar mais do que um ativo vale. Assim, o investidor deve, pelo menos, tentar avaliar o valor de qualquer coisa que irá comprar antes de comprá-la.

Neste sentido, preciso ressaltar que é impossível que um valuation seja 100% correto. Damodaran também confirma isto, dizendo que todos os valuations estarão sempre errados.

O motivo para isso é bastante simples: é impossível prever o futuro. Existirão erros de estimativas, erros oriundos de incertezas específicas de cada companhia, além de erros devido a mudanças no cenário econômico.

Entretanto, o valuation deve ser feito ainda assim, pois ele é uma estimativa necessária que guiará o investimento.

De acordo com o Papa do Valuation, embora existam vários modelos para precificar um ativo, existem apenas duas abordagens: intrínseca e relativa.

Abordagens: Intrínseca vs. Relativa

No valuation pela abordagem intrínseca, há uma simples proposição: “O valor intrínseco de um ativo é determinado pelos fluxos de dinheiro que você espera que ele irá gerar até o fim dos tempos, e o quanto você considera de incerteza sobre estes fluxos”.

Assim, ativos que apresentam fluxos de caixa altos e estáveis devem valer mais do que ativos com fluxos de caixa baixos e voláteis.

Considere duas propriedades iguais. Uma delas possui inquilinos com contratos de longo prazo, pagando um aluguel mais alto. Já a outra, possui inquilinos com contratos de curto prazo, que pagam um aluguel menor, além de uma variação maior na vacância ao longo do tempo. Claramente uma delas apresenta um valor maior que o da outra.

Enquanto o foco, em princípio, deve ser no valuation intrínseco, muitos ativos têm seu valuation realizado em uma base relativa. Deste modo, os ativos são avaliados por meio de comparação com ativos similares que se encontram no mercado.

No caso do mercado de ações, é feita a comparação dos múltiplos de uma determinada companhia, frente a outras que são consideradas seus pares de mercado.

Provavelmente, você deve ter pensado que uma abordagem intermediária deve ser interessante. De fato. A abordagem intrínseca traz um panorama do que é responsável por direcionar o valor de um negócio, ou de uma ação. Mas existem cenários nos quais o valuation relativo proporciona uma estimativa mais realista do valor.

Damodaran afirma que não há razão para escolher uma das abordagens em detrimento da outra. Na verdade, as chances de sucesso são elevadas ao investir em ações que estão subvalorizadas tanto na base intrínseca quanto na relativa. Trata-se de uma ideia interessante a utilização de ambas as abordagens simultaneamente.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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