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Arbitragem: um processo muito utilizado por investidores mais ousados

By 10 de novembro de 2017 No Comments

A arbitragem é uma prática muito comum e antiga no mercado de capitais, e que basicamente consiste em lucrar com as diferenças de preços entre dois ativos financeiros iguais, porem negociados em mercados ou sobre códigos diferentes.

Visualizando essa diferença, através da arbitragem o investidor pode comprar e vender ativos de forma a ganhar com essa disparidade irracional temporária nos preços.

Por exemplo, digamos que uma mesma ação cotada em duas bolsas diferentes, está com preços substancialmente diferentes entre si.

Neste caso, o arbitrador que visualizar essa oportunidade pode comprar o ativo no qual o preço está substancialmente mais baixo e vende-lo no outro onde o preço está mais elevado, auferindo, com isso, o lucro das diferenças de preços.

Tipos de arbitragem

Dentro deste universo existem basicamente 3 tipos de negócios que o arbitrador pode se aproveitar de forma lucrar com essa diferença de preços:

  • Cambial: É uma operação de troca entre moedas em duas praças financeiras diferentes, com o objetivo de amealhar lucros de acordo com as diferenças de preços entre as duas moedas.
  • De bolsa a bolsa: tem como objetivo a compra e venda dos mesmos ativos negociados em bolsas diferentes.
  • À vista contra a prazo: consiste numa operação de arbitragem realizada com o objetivo de lucro decorrente da diferença entre o preço à vista de um ativo e o preço deste mesmo ativo a prazo.

Como os preços convergem

A própria arbitragem é uma operação que torna possível a convergência dos ativos financeiros a preços corretos, pela sua própria natureza: ele aumenta a demanda por determinado ativo, fazendo-o elevar de preço.

Tem-se, assim, que velocidade de convergência dos preços é uma medida da eficiência do mercado.

Logo, quanto mais rápido a diferença de preços é eliminada, mais eficiente é o mercado em corrigi-los.

Esse tipo de trabalho é muito importante, pois ele move moedas e ativos em todo o mundo de forma a deixá-los numa mesma paridade do poder de compras. As oportunidades nas arbitragens de commodities, seguros, moedas, entre outras, tendem a modificar as taxas de câmbio até que o poder de compra das moedas se torne equalizado.

Esse processo, em tese, não possui risco, no entanto, as vezes é necessário paciência para a espera da conversão dos preços do preço do ativo desvalorizado para preços justos.

Ações ordinárias e preferenciais

É muito comum, investidores confundirem a conversão de ações ON em PN e vice e versa, e chamarem esse processo de arbitragem.

Entretanto, nesse tipo de operação, há sim risco de os preços oscilarem, uma vez que cada classe de ações é influenciada por fatores fundamentais como tag along, política de distribuição de dividendos, etc.

Então, neste caso, essa operação não pode ser considerada de risco.

Conclusão

Em outras épocas, era muito comum se verificar oportunidades de arbitragem nos mercados.

O próprio investidor, pai da análise fundamentalista, Benjamim Graham, lançava mão dessa estratégia constantemente.

Porém, essas oportunidades estão ficando cada vez mais escassas, devido à forte presença de algoritmos que identificam e capturam tais oportunidades na casa dos microssegundos.

Quanto mais rápido, maior a probabilidade de ganhos nas arbitragens, portanto a briga por essas oportunidades se tornou, há tempos, uma disputa tecnológica, atraindo cada vez mais programadores para o mercado.

Por conta disso, não recomendamos o processo de arbitragem para nenhum investidor, isto por que, a tendência é que intensifique cada vez mais a utilização de softwares e estratégias mecânicas para a utilização deste recurso.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.