Livro Guia Suno de Contabilidade para Investidores

Com o sucesso de vendas e de críticas do Guia Suno Dividendos, o Tiago Reis, fundador da Suno Research, me convidou para darmos continuidade na parceria para lançar o segundo volume da coleção Guia Suno, aprofundando a temática da leitura e interpretação de demonstrações contábeis, abordada num dos capítulos do primeiro livro.

Investidores de longo prazo, que recorrem à análise fundamentalista para pesquisar empresas de capital aberto na Bolsa de Valores, precisam dominar os conceitos relacionados com os Balanços Patrimoniais (BP), Demonstrações de Resultados de Exercícios (DRE) e Demonstrações de Fluxos de Caixa (DFC) que as empresas listadas em Bolsa devem publicar a cada final de trimestre contábil.

Sem o conhecimento básico sobre o funcionamento deste processo altamente regulado e fiscalizado por entidades que zelam pelo mercado de capitais no Brasil, como a CVM e empresas auditoras independentes, os investidores individuais ficaram mais dependentes de análises feitas por terceiros, sem ter mecanismos para avalizar ou contrariar relatórios fornecidos por corretoras ou mesmo casas de análises.

Seja amigo da Matemática

O ponto inicial para todo investidor ser bem-sucedido na leitura e análise de demonstrações financeiras é ter familiaridade e fluência na Matemática elementar. Não é preciso dominar fórmulas complexas e avançadas para poder extrair dos documentos fornecidos pelas empresas os indicadores mais úteis que servirão de base para a tomada de decisões.

Ocorre que no Brasil o ensino da Matemática é deficitário há décadas, especialmente nas escolas públicas. A matemática é apresentada de forma pouco atraente e por vezes muito enfadonha, de modo que para alguns pode ser um desafio vencer a antipatia pelos números e passar a ter eles como aliados.

Você pode perguntar se as demonstrações financeiras das empresas são confiáveis e se podem ocorrer fraudes. Por incrível que pareça, os investidores brasileiros estão mais protegidos do que os investidores das Bolsas norte-americanas neste quesito. No Brasil os documentos contábeis trimestrais seguem preceitos internacionais aos quais os norte-americanos ainda não aderiram. As normas seguidas são conhecidas como IFRS e todos os documentos são auditados por empresas independentes e fiscalizadas pela CVM.

Demonstrações financeiras

O primeiro documento a ser analisado por investidores é o Balanço Patrimonial (BP), cuja capa do livro representa tão bem conceitualmente através de uma balança com dois pratos. De um lado são relacionados os ativos da empresa, e de outro ficam os passivos e a identificação do patrimônio líquido. Numa empresa saudável, a soma do patrimônio líquido com os passivos ficará equilibrada com o total de ativos.

Lembramos que, em linhas gerais ativos são bens que atuam para gerar capital para o negócio, e passivos são compromissos que tiram dinheiro do caixa da empresa. Tanto os ativos como os passivos de uma empresa podem ser divididos em duas categorias: circulantes, relacionados ao curto prazo – menos de doze meses – e não circulantes, relacionados ao longo prazo – mais de doze meses.

Na sequencia temos a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) cuja função é apresentar a Receita Bruta da empresa, informando as despesas com o Imposto sobre Receita para identificar a Receita Líquida. Também são apresentados os Custos dos Produtos Vendidos e o Lucro Bruto, além das Despesas com Vendas e Despesas Administrativas.

De posse destes números, as empresas conseguem apresentar ainda o EBIT ou LAJIR, bem como os Lucros Antes dos Impostos de Renda – LAIR. Finalmente se identifica o Lucro Líquido do trimestre.

Por fim temos a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Aqui reproduzimos a definição exposta no livro:

“A Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC – calcula a variação do caixa durante o trimestre, servindo aos gestores na avaliação da capacidade da entidade para gerenciar fluxos de caixa líquidos positivos.”

“Este é o documento contábil que melhor reflete o desempenho financeiro de uma empresa, na medida em que fornece informações sobre as origens e o destino dos recursos: como a empresa gera o seu caixa e como ela faz a alocação do mesmo.”

Para cada documento contábil – BP, DRE e DFC – o Guia Suno de Contabilidade para Investidores dedica um capítulo, sempre finalizado com um roteiro de análise de seus pormenores.

Os principais indicadores

De posse de todos os documentos citados anteriormente, podemos extrair os principais indicadores das empresas, podem ser analisadas por indicadores de produtividade, rentabilidade, eficiência e financeiros. Na produtividade verificamos a gestão do Capex e do Capital de Giro. Na rentabilidade atentamos para o ROE, ROIC e ROA. Na eficiência estão as margens bruta e líquida, além das margens EBIT e EBITDA. No aspecto financeiro temos o EBITDA, a liquidez corrente e o Imposto. Há também os indicadores socioambientais variados. Estes conceitos estão detalhados no livro em questão.

Aqui cabe a abertura de um parêntese: quando o leitor que estudar o livro conseguir calcular pela primeira vez o ROIC de uma empresa, por exemplo, e ver que o resultado bateu com o ROIC divulgado pela mídia ou por sites especializados em análise fundamentalista, ele sentirá um prazer que também sentimos quando conseguimos cumprir esta tarefa pela primeira vez. Ao menos esse é o nosso desejo. Existe beleza camuflada em números e papéis contábeis, e descobri-la é uma satisfação.

Para reforçar os conceitos apresentados no livro, apresentamos dois estudos de caso que funcionam como um eficiente roteiro de análise contábil de empresas de capital aberto. O primeiro estudo foi dedicado à construtora PDG, que atravessa momentos desafiadores relacionados à sua recuperação judicial. Já o segundo estudo é sobre a gigante das bebidas, a Ambev, que navega sob céu de brigadeiro ano após ano.

Através dos casos extremos relatados no livro, confiamos que os leitores terão parâmetros e ferramentas suficientes para começar a analisar por conta própria qualquer empresa de capital aberto relacionada na Bolsa de São Paulo, a B3.

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Publicado originalmente em 27 de julho de 2018.

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Jean Tosetto

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.