AngelList

“Onde o mundo encontra as startups”. Você já ouviu essa frase? Esse é o lema do AngelList.

O AngelList , ou em português, “lista de anjos”, é um site interessante para quem se interessa por negócios e valuation de empresas emergentes.

O AngelList é um site norte americano criado em 2010 pelos empreendedores Naval Ravikant e Babak Nivi em que é possível encontrar empregos em startups e investir em negócios promissores.

 

O site AngelListO site AngelList

Um dos fundadores da lista de anjos, Naval Ravikant, estudou ciência da computação em Darthmout.

Após se formar, ajudou a criar dois sites: Epinions e Vast.

Já Babak Nivi estudou engenharia elétrica e ciência da computação no MIT.

Trabalhou em várias startups, como Songbitd, Grockit e Kovio.

Após o sucesso com o blog Venture Hack, criado pelos dois empreendedores em 2007, eles elaboraram uma lista de 25 investidores para compartilhar ideias de novas empresas para investir.

Eles anunciaram publicamente a lista e logo ela já contava com 50 investidores.

Ou seja, se tratava de uma lista de “Anjos”, que é o nome dado aos investidores dispostos a aportar recursos em empresas emergentes.

Assim, o site “ a lista de anjos” foi concebido com o objetivo de facilitar o processo de investimento por parte dos mais diversos tipos de investidores.

A plataforma, desde 2015, permite que as startups levantem fundos de investidores anônimos gratuitamente.

Ao todo, existem três serviços no site:

  1. Busca de vagas de emprego em startups
  2. Postagem de vagas de trabalho em startups
  3. Investimento em startups

 

Plataforma de empregos da AngelListplataforma de empregos AngelList

Na área de empregos do site, lançada em 2012, é possível consultar diversas vagas.

E caso você seja dono de uma startup, também poderá vagas disponíveis na área do site.

Ao final de Maio de 2018, existiam mais de 23 mil startups cadastradas na plataforma.

Contudo, para ter acesso às vagas e poder realizar a aplicação, é necessário preencher um cadastro no site.

As vagas oferecidas abrangem todas as áreas, desde engenharia de softwares, designing, operações, vendas, marketing, administrativo, entre outras.

Também é possível filtras as vagas por localização e tipo de emprego, isto é:

  • Turno integral
  • Estágio
  • Freelancing
  • Busca por sócio

Além disso, também é possível selecionar a faixa salarial oferecida e o tamanho da companhia, medido em números de funcionários.

Um outro filtro bastante interessante é selecionar empresas que oferecem participação societária.

Essa é uma forma de remuneração bastante interessante, pois atrai candidatos que possuam interesse de longo prazo na companhia.

Também é possível configurar o recebimento de alertas de vagas no e-mail.

Outra ferramenta interessante é a de “matches”, que fornece uma sugestão de vagas com base no perfil do candidato.

Apesar da ferramenta ser mais popular nos EUA, de acordo com uma pesquisa realizada em Maio de 2018, mais de noventa startups ofereciam vagas no Brasil.

As seguintes startups apareciam nessa pesquisa:

Boi na Linha, TravelPerk, Quero Education, MEI Fácil, BITLAB, Airfox, VTEX, BCMedia AG, Resypar, AgriConnected, Kuadro, Eveile, Medipedia, Uello, Arena, Gesto, Teravoz, Lets-hi.
Dress Vip Club, Grabr, Founder Institute, Habla AI, heyhow, EduSim, NEU, Moeda, RecargaPay, Perrdustry, Bazingo, Booklyng, Forkable, Shippify, Trafilea, Process Street.
Pluga, Softruck, Freightos, Afilio, ClassCal, Creditoo, uMov.me, Liv Up, iotik, Casar.com, Cerebral, Magnetis, O2 Fund, hqbeds, eMaster.

Investindo em startups

O outro serviço oferecido no AngelList é a possibilidade de investir em startups no estágio inicial de vida.

Desde a fundação do site, já foram investidos centenas de milhões de dólares em pelo menos 1200 empresas.

Do ponto de vista dos fundadores, essa é uma excelente forma de captar dinheiro.

Afinal, muitas empresas que estão começando a operar, tem dificuldades de conseguir financiamentos, muitas vezes dependendo de amigos e familiares.

E além dessa dificuldade, os empreendedores gastam um tempo precioso buscando esses recursos.

Com a facilidade da “lista de anjos”, os fundadores dessas empresas podem focar seu tempo e conhecimento exclusivamente em sua companhia.

E isso é especialmente importante no começo da operação, pois, como se sabe, a maioria das startups funcionam por alguns anos até conseguirem a escala necessária para gerarem lucros reais.

Já do ponto de vista do investidor, a plataforma do AngelList permite investir em milhares de empresas no início de vida.

Dessa forma, esta palataforma provou ser a melhor maneira para os investidores de risco colocarem seus recursos de forma facilitada nessas pequenas empresas.

No mundo das startups, os investidores anjo têm fornecido uma força impulsionadora para que essas empresas inovadoras possam fazer seus investimentos de acordo com o planejado.

Existem três veículos disponíveis no site para realizar esses investimentos:

• Sindicatos
• Fundos da AngelList
• Investidor professional

Contudo, é importante lembrar que para investir em qualquer uma dessas três modalidades, é preciso ser um investidor qualificado.

Além disso, o investidor deve preencher uma ficha de aplicação para poder ser aprovado a investir através do site.

Sindicatos

A modalidade de sindicatos é a maneira mais acessível de investir em startups.

O site oferece sindicatos de investimento em que as empresas captam recursos financeiros provindos de investidores credenciados no site, possibilitando a estes se juntarem a investidores proeminentes.

De acordo com os dados de Maio de 2018, 800 milhões de dólares já haviam sido aplicados em 2240 startups.

O investimento médio costuma ser de 200 a 350 mil dólares, mas o investimento mínimo costuma girar entre mil e dez mil dólares.

Como funciona um sindicato – leads e backers

O sindicato nada mais é do que um fundo especial destinado a investir em uma única startup.

Existem dois tipos de investidores relacionados a um sindicato: leads e backers.

Os leads, ou líderes, são investidores anjo profissionais, com anos de experiência e histórico comprovado de investimentos bem sucedidos em startups.

Muitos deles são, inclusive, fundadores de startups bem sucedidas.

A função dos leads no sindicato é encontrar boas oportunidades de investimento e apresentar a propostas aos backers, que são os investidores que acessam o o site.

Portanto, cada negócio é individual e privado.

Somente os investidores convidados (backers) pelo lead podem participar.

O que buscar em um líder (lead)

De acordo com Naval Ravikant, bons leads devem apresentar as seguintes características:

1. “Bolso fundo”: isso significa ter um capital grande disponível para investimentos.
2. Receber frequentemente propostas de negócios.
3. Bom julgamento de negócios e grande experiência.

O lead também investe boa parte dos recursos junto com os backers, demonstrando um alinhamento de interesses entre essas partes.

Em média, os leads investem 16% em cada negócio.

Mas aqui tem um detalhe importante.

Na estrutura do sindicato estão apenas os recursos dos backers.

O investimento do lead é feito na empresa investida através de outro veículo, ou então diretamente.

E geralmente, os backers têm cinco dias úteis para decidir aceitar ou não a proposta de investimento.

A partir desse prazo, o sindicato é formado com todos os investidores que aceitaram o projeto.

A participação de cada um é proporcional ao valor do investimento realizado.

De acordo com a legislação americana, só podem haver, no máximo, 99 investidores em um sindicato.

Custos de um sindicato

Para criar um sindicato existem custos.

O primeiro deles é uma taxa de 8 mil dólares cobrada uma única vez.

Essa tarifa é paga às agências regulatórias, processadoras de pagamentos e escritórios de contabilidade.

Esse custo é dividido proporcionalmente à participação de cada investidor.

Por exemplo, se um investidor tiver 5% do sindicato, irá pagar 400 dólares.

O outro custo é chamado de carry, abreviação de carried interest.

O carry nada mais é do que a fatia dos lucros do sindicato que é paga ao lead e ao AngelList.

Geralmente essa fatia é de 20% e paga somente após o capital dos backers ser devolvido.

Por exemplo, imagine que um sindicato fosse formado com o aporte de 250 mil dólares dos backers.

Após alguns anos, o investimento é bem sucedido e o valor total do investimento é de 1 milhões de dólares.

Nesse caso, o lucro para o sindicato seria 750 mil dólares.

Mas é preciso considerar a despesa com carry.

Digamos que o lead recebesse um carry de 15%. O carry para o AngelList é de 5%.

Assim, o lead receberia de comissão 112,5 mil dólares e o site receberia 37,5 mil dólares.

Veja que isso funciona na prática como uma taxa de performance cobrada do fundo.

Independentemente disso, o lead também irá receber os lucros do investimento que ele próprio realizou na empresa.

Cinco passos para formar um sindicato

Para formar um sindicato, é necessário seguir cinco passos:

1. Abertura
2. Investimento
3. Fechamento
4. Monitoramento
5. Liquidação

O primeiro passo é o da abertura.

Nesta etapa o lead descobre uma oportunidade de negócios em uma determinada startup.

Então, ele divulga a oportunidade na plataforma do AngelList.

Na etapa do investimento, começa o processo de captação de recursos.

Se o montante necessário para concretizar o investimento não seja atingido, o negócio é desfeito.

Caso contrário, se prossegue à etapa de fechamento.

Nesta etapa, é criado o fundo de investimentos através do qual o sindicato realizará o aporte na empresa investida.

No monitoramente, o lead administrará o investimento, entrando em contato com a startup, e provendo informações do seu desempenho aos backers.

Por fim, se o investimento for liquidado, então o capital será devolvido aos investidores. Em caso de lucro, o carry também será pago ao lead e à AngelList.

Vantagem e desvantagens em relação aos fundos de seed capital

Os sindicatos possuem algumas vantagens e desvantagens em relação aos fundos tradicionais de venture capital (VC), as empresas de capital de risco em startups.

A primeira vantagem é a possibilidade de sair do investimento antes da liquidação. Nos fundos de VC, costuma haver um período de carência (lock-up), geralmente de anos, em que o investidor não consegue resgatar o dinheiro.

Além disso, ao contrário dos fundos de VC, no sindicato não há a cobrança da taxa de administração, que incide sobre o patrimônio do fundo.

Por exemplo, para criar um fundo de VC, os investidores geralmente devem assumir enormes despesas gerais, como despesas legais, equipes de gerenciamento e serviços de back-office.
Também existe a questão do alinhamento maior.

Nos sindicatos, como mencionado, geralmente o lead tem uma participação de 16% enquanto que nos fundos de VC, o investimento “da casa” é bem menor.

Por outro lado, também existem as desvantagens do sindicato.

Como a captação se dá através de inúmeros backers, não há a figura do “smart money”, ou seja, daquelas pessoas que realmente podem ajudar o negócio, exceto, é claro, o lead.

Já as empresas de VC possue a capacidade de conseguir assentos a bordo dos conselhos das empresas (enquanto os “anjos” geralmente se espalham demais).

Além disso, também podem oferecer serviços de negócios que elevam o patamar de gestão das startups para outro nível.

Devido às vantagens e desvantagens dos sindicatos, ainda não está claro se esse modelo ajudará ou prejudicará as empresas tradicionais de capital de risco.

Outras opções

opções

A segunda forma de investir em startups pelo site da AngelList é através do investimento em um fundo administrado pela própria empresa.

Os Angel Funds essencialmente conectam o capital de investidores com empresas inovadoras e possivelmente muito promissoras.

Nesse caso, se trata de uma aplicação automaticamente diversificada entre 150 e 200 empresas diferentes.

A desvantagem é o investimento mínimo de 100 mil dólares.

Já a modalidade mais Premium oferecida pelo site, o investidor tem acesso a um agente pessoal de investimentos em startups.

Essa modalidade é focada para investidores institucionais, family offices e outros investidores de grande porte.

Outras iniciativas da empresa também merecem destaque.

Por exemplo, em 2017 a AngelList iniciou um programa de financiamento as empresas menores, fornecendo cerca de US$ 500 mil para que elas começassem suas atividades.

Essa iniciativa terá um valor total de US$ 35 milhões e, segundo o Naval Ravikant, ele prevê que a criação desse programa irá impulsionar uma enorme nova classe de investidores de risco.

A própria AngelList, ao longo dos anos, desmembrou unidades de neg

ócios através de Spin-offs.

Em Julho de 2016, a empresa lançou a Republic, empresa focada no investimento em startups para investidores não qualificados.

Em Novembro deste mesmo ano, a empresa adquiriu a Product Hunt, um site para compartilhar e descobrir novos produtos.

Já em Outubro de 2017, foi inaugurado o site CoinList, para auxiliar investidores que queiram realizar uma emissão de criptomoedas.

Riscos de investir em startupsriscos de investir em startups

Talvez o termo investir em startups não seja o mais apropriado. Aposta sim.

Apenas uma fração desses negócios costuma sobreviver após o quinto ano de operação.

Por isso, a maioria dos investidores que aplicam nessas empresas esperam perder dinheiro.

De fato, veja abaixo uma conversa entre o CEO e fundador da Suno, Tiago Reis, e o fundador da Easy Taxi, Tallis Gomes:

Qual a sacada?

Através de uma diversificação grande, o investidor espera que algumas empresas sejam tão bem sucedidas que compensem os fracassos do restante da carteira.

Esse argumento encontra respaldo nas ideias de Nassim Taleb, financista mundialmente famoso mas que não é unanimidade.

Afinal, qual deve ser o número ideal de startups para ter em uma carteira? Quanto maior, mais difícil será superar a média de retorno do mercado.

Além disso, é muito complicado realizar o valuation de startups, o que adiciona mais um grau de complexidade na escolha do portfólio.

Por isso não é tão fácil investir com sucesso em startups. E definitivamente não é uma fórmula mágica de enriquecimento.

Conclusão sobre AngelListconclusão AngelList

No entanto, existem muitos investidores que não possuem a devida experiência para lidar com o mercado de alto risco das startups.

Então é necessário cuidado ao resolver entrar nesse mercado, e sempre aportar recursos que não farão falta.

Pois naturalmente, a maioria dessas empresas acaba não se tornando viáveis no longo prazo e o investidor perde tudo que aplicou.

Mas apesar de tudo, o trabalho da AngelList é louvável e está se tornando uma forma de investidores anjo se organizarem em prol do desenvolvimento das startups.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.