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    Análise qualitativa de uma empresa (Parte III)

    Neste Suno Call, vou continuar a série que venho trazendo ao longo dos últimos dois dias. Caso o leitor ainda não tenha lido as outras edições, basta clicar aqui para ler a Parte I, e aqui para ler a Parte II.

    Hoje, então, abordarei as questões de nove a doze, propostas por Christopher Browne em seu livro “The Little Book of Value Investing”, publicado em 2006. Julgo que este conhecimento é essencial e deve ser aplicado para se alcançar uma análise de qualidade.

    9 – A companhia está confortável com as estimativas feitas pelos investidores?

    Caso as estimativas sejam muito altas e acabem não sendo atendidas pela empresa, provavelmente levará a uma queda do preço da companhia no mercado.

    O contrário também é provável de acontecer. Isto é, caso a companhia supere as expectativas, seu preço terá maiores chances de subir.

    Neste ponto, particularmente, não vejo tanta importância. Acredito que as oscilações de curto prazo devido a resultados adequados no trimestre não refletem alterações reais no valor intrínseco do negócio. No entanto, talvez seja válido para aqueles que buscam prever os movimentos do mercado.

    10 – Quanto a companhia é capaz de crescer ao longo dos próximos cinco anos? Como o crescimento será alcançado?

    É adequado buscar uma estimativa de quanto a empresa poderá crescer num horizonte de cinco anos. Sentir a confiança (ou a falta dela) dos gestores quanto à perspectiva de crescimento pode dar uma boa ideia de quanto o valor justo pela ação pode subir, com relação aos níveis atuais.

    Além disso, deve ser de interesse do acionista saber como a companhia deseja realizar seu crescimento. É preciso saber, pelo menos, para qual direção os gestores planejam agir para atingir suas metas de crescimento.

    Ele será feito por meio de fusões e aquisições? A companhia pretende expandir para novas geografias, entrando em novos mercados? Ou o crescimento virá às custas de compressão das margens e dos retornos?

    Browne conclui dizendo que o crescimento de receitas não é suficiente, caso estas receitas não tenham a perspectiva de gerar lucros adicionais.

    11 – O que a companhia pretende fazer com o excesso de dinheiro gerado pelo negócio?

    Todo dinheiro oriundo do lucro líquido que não for dado aos acionistas será retido pela companhia. É preciso, então, saber o que a gestão pretende fazer com este dinheiro.

    Ela planeja aumentar os dividendos? Ela irá investir em novas lojas ou fábricas? Realizará fusões ou aquisições? Há intenção de realizar um programa de recompra de ações?

    O acionista deve buscar saber quais retornos são esperados em seus investimentos. O uso adequado dos lucros excedentes pode proporcionar bons retornos futuros. No entanto, seu mau uso pode resultar em deterioração.

    12 – O que a empresa espera dos seus concorrentes?

    Estar de olho nos competidores é uma boa prática que todos os negócios devem realizar. Não é necessário saber tão a fundo; ter uma ideia, em linhas gerais, já basta.

    Browne dá o exemplo de como os planos de expansão da Lowe’s impactaram significativamente os resultados da Home Depot – ambas são varejistas norte-americanas que vendem produtos para o lar e construção civil.

    Os planos de expansão do Wal-Mart também afetaram uma boa parte das redes de supermercados.

    Christopher sugere que, quando uma empresa toma alguma medida – como o lançamento de um novo produto de sucesso – para aumentar suas vendas, os concorrentes devem responder de maneira similar. Caso contrário, há grande risco de perder vendas e market share.

     

    Amanhã trarei as últimas quatro questões para a análise qualitativa de empresas, de modo que encerraremos esta série que contempla o método proposto por Christopher Browne.

    Tiago Reis
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    1 comentário

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    • Bruno Cestari 20 de setembro de 2019

      Olá, Tiago, me chamo Bruno Cestari. Eu estou num ponto da minha vida que tenho que escolher onde concentrar meus estudos.
      Sempre achei interessante o trabalho de Equity Research. Creio que ser pago pra investigar coisas e aconselhar as pessoas não
      é nem trabalho, e sim um hobby… Gostaria de tirar duas dúvidas: O dia a dia é realmente isso: raciocínio o tempo todo sem tarefas repetitivas? Pelo que eu pesquisei, pessoas que trabalham com Equity Research nos EUA acabam tendo jornadas de 12 – 16 h. Isso acontece aqui no Brasil ? Quantas horas em média se trabalha nessa posição? Agradeço a atenção!

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