Por: Tiago Reis

‘Análise qualitativa de uma empresa (Parte II)

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Vamos lá. Hoje, apresentarei a segunda parte desta série, contemplando mais cinco das dezesseis questões propostas por Christopher Browne para uma análise qualitativa de empresas, conforme introduzi no Suno Call de ontem.

4 – A companhia pode controlar suas despesas?

Qual é a perspectiva para as despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A)? Qual percentual das vendas elas representam?

Existe algum jeito de a companhia cortar custos não relacionados à fabricação de seu produto? Existe um número exagerado de colaboradores, salários e outras despesas empregatícias? Ela pode fechar fábricas caras ou ultrapassadas? Existem novas tecnologias disponíveis que permitem que ela aumente sua margem de lucro? Ela pode renegociar suas dívidas para pagar juros menores?

Browne ressalta que, frequentemente, as companhias deixam as despesas saírem do controle, o que faz com que sejam necessários cortes para restaurar a lucratividade.

5 – Se a empresa aumentar as vendas, quanto delas irá para o bottom line?

Se as vendas podem crescer sem custo adicional, a receita adicional irá direto para os lucros. No entanto, caso a companhia tenha que contratar novos funcionários, investir em novas fábricas ou em novas cadeias de logística, nem todas as receitas adicionais se traduzirão em lucros.

Por outra perspectiva, vale a pena comprimir as margens e os lucros para conseguir as novas receitas? É necessário analisar se haverá ganho de market share, por exemplo, dentre outros fatores.

6 – A companhia pode manter sua lucratividade ou, pelo menos, ser mais lucrativa que seus concorrentes?

Frequentemente, é possível observar empresas cujas margens ou lucros, eventualmente, sofrem alguma queda.

Se isso for causado por um problema temporário, a empresa deve recuperar sua lucratividade. Pontualmente, ela pode ter problemas com algum erro de gestores, ou alguma falha em lançamentos de produtos, até mesmo despesas fora do controle.

Por outro lado, a queda nos lucros também pode ser oriunda de um fator externo, como a alta de taxa de juros, aumento de preço de commodities, dentre outros.

Uma vez determinada a causa, o investidor deve analisar se os lucros podem ser restaurados aos patamares anteriores.

Quando encontrar uma companhia cujos lucros estejam abaixo da média do restante do setor, deve-se buscar saber o que os concorrentes fazem que não está sendo feito por esta companhia.

7 – A empresa possui despesas não recorrentes em seus últimos resultados?

Eventualmente, algumas empresas terão os lucros comprimidos por eventos não recorrentes. Podem ser devido a fusões e aquisições, fechamento de uma fábrica, processos judiciais, dentre outros.

Se as ações estiverem subprecificadas devido a um destes eventos, cabe avaliar se os lucros serão recuperados nos próximos resultados. Em caso afirmativo, pode existir aí um potencial de geração de valor.

Por outro lado, eventos não recorrentes podem inflar resultados das empresas, fazendo com que pareçam ter resultados extraordinários. É preciso cautela.

8 – Existem operações não lucrativas que podem ser eliminadas?

Muitas empresas podem ter divisões que perdem dinheiro, enquanto suas principais operações são as responsáveis por ganhar dinheiro.

Talvez algumas lojas de uma varejista possam não estar performando no nível da maioria de suas lojas e, caso estas lojas fossem fechadas, perdas seriam eliminadas.

Christopher dá o exemplo da James Crean, um pequeno conglomerado Irlandês que tentou se estabelecer em um leque amplo de negócios.

Num primeiro instante, suas ações não pareciam baratas. No entanto, quando Browne percebeu repetidas compras pelos gestores, ficou curioso.

Uma análise a fundo mostrou que a companhia estava vendendo várias de suas divisões, de modo que seus resultados se tornariam melhores, mostrando que seu valuation estava, na verdade, bastante atraente.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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