No mercado financeiro, diversos termos e definições são muitas vezes desconhecidos por muitos investidores.

Uma dessas definições é o termo conhecido como Aluguel de Ações.

Com essa ferramenta, muitos investidores praticantes do Value Investing conseguem aumentar a rentabilidade de suas aplicações ao longo do tempo.

Mesmo não sendo uma melhora muito representativa no rendimento de uma carteira, o aluguel de ações pode ser uma interessante e segura alternativa para aquele investidor com visão de longo prazo.

Os dois lados da negociação

Do mesmo modo que existem os investidores pacientes, aqueles que sabem esperar o momento certo de entrar em uma sociedade acionária e que não vislumbram se desfazer dessas posições tão cedo, existe a sua contrapartida, ou seja, os investidores especuladores, que focam sua atenção em operações de curto prazo e alto risco.

Para esses últimos, os especuladores, quanto maior a volatilidade e liquidez do mercado, ou seja, a variação nos preços das ações e a facilidade de se comprar ou vender determinado papel, maior é a sua margem de atuação na tentativa de ganhos em um curto espaço de tempo.

Os “traders”, ou seja, os praticantes do Day Trade, esperam e torcem muito para que esses tipos de oscilações ocorram a todo momento, para que assim se aumente o campo de possibilidades de suas apostas.

Nesse cenário de alta volatilidade e liquidez, os especuladores possuem duas vertentes para atuar:

1º: Procuram comprar ativos baratos para depois vende-los caros (acreditam na alta do preço daquele ativo)

Ou

2º: Procuram vender ativos caro e para depois recomprá-los baratos (acreditam na baixa do preço daquele ativo)

Dentre essa área especulativa, que como citado anteriormente abrange diversas operações de alto risco, existe um meio no qual o investidor, acreditando na baixa do preço de determinado papel, pode realizar operações de vendas de ações sem que, de fato, possua determinado ativo em sua carteira.

Esse tipo de operação no mercado financeiro é comumente conhecido como Operar Vendido.

Nessa operação, mesmo não possuindo tal ativo em sua carteira, mas acreditando na sua desvalorização, o investidor pode alugar tal ação no mercado para que, assim, o mesmo possa vender esse ativo alugado e então, depois de sua queda de preço – se ocorrer – recompre tal ação a um preço mais barato do que a vendeu, e em seguida a devolva para seu credor, pagando por isso o devido valor do aluguel e ainda obtendo lucro na operação.

Nesse caso, quem faz o empréstimo, ou seja, aquele que toma posse de uma ação que não possui, é chamado de Tomador, enquanto quem empresta é o Doador.

Como dito anteriormente, uma operação nesse sentido envolve muitas variáveis que fogem ao controle do investidor e com isso, acabam por gerar altos riscos para quem a realiza.

Agora, o sentido oposto desta operação, ou seja, o processo de se alugar ações de uma carteira para terceiros, pode ser considerado interessante para investidores de valor, visto que a própria bolsa de valores é a intermediadora dessas operações, o que faz a transação se tornar bastante segura em termos de restituição do ativo emprestado para o doador.

bovespa e o aluguel de ações

Desta maneira, alugar suas ações pode ser uma alternativa bastante interessante para investidores focados em dividendos e na associação de longo prazo com companhias sólidas no mercado financeiro, visto que, com as devidas remunerações provenientes dos empréstimos, os rendimentos de suas aplicações inevitavelmente terão um incremento em suas rentabilidades finais.

Assim sendo, quanto mais diversificada é a carteira de um investidor, maior a possibilidade de existirem especuladores com interesse em alugar algumas ações desse portfolio com a finalidade de realizar operações de curto prazo, o que pode aumentar o potencial de rentabilidade desses investimentos no longo prazo.

Como funciona o aluguel de ações?

Para disponibilizar as ações de sua carteira para empréstimo, o acionista deve entrar em contato com a corretora na qual é cliente e solicitar, por escrito – de preferência por e-mail – o seu desejo de emprestar suas ações, especificando quais seriam esses papéis e quais seriam suas respectivas quantidades.

Já para os tomadores, estes precisam oferecer garantias à intermediadora para conseguirem realizar tais empréstimos. Essas garantias devem ser dadas com ativos aceitos pela Bolsa de Valores que sejam em valor suficiente para assegurar a certeza da liquidação de suas operações.

É importante destacar que o processo de empréstimo de ações envolve a transferência temporária alguns direitos da propriedade, como o de voto em assembleias, por exemplo, do doador para o tomador, e tais diretos passam a ser exercidos pelo segundo, caso este não tenha ainda vendido a ação.

Além disso, o investidor doador não pode realizar uma operação de venda de um ativo se o mesmo se encontrar naquele momento emprestado a outro investidor, tendo, com isso, que esperar que se vença o prazo de empréstimo para que, novamente de posse do ativo, possa realizar tal operação.

Entretanto, em relação aos proventos e demais bonificações como os dividendos e os juros sobre capital próprio, a própria intermediadora do empréstimo, no caso, a Bolsa de Valores, se encarrega de reembolsar ao doador as suas devidas participações, garantindo, assim, que este não perca o direito sobre suas bonificações ao emprestar ações no mercado.

Taxas

Como praticamente tudo que engloba o mercado financeiro, as operações de aluguel de ações também possuem custos para o investidor que toma ações emprestadas.

Basicamente, este custo é composto pela taxa cobrada pela Bolsa de Valores para o registro e a liquidação das operações, e a taxa do aluguel da ação, que varia de acordo com a disponibilidade de cada papel no mercado.

Assim sendo, a taxa cobrada na bolsa costuma ser 0,25% ao ano ou R$10,00 por liquidação realizada (aqui prevalece o maior valor), enquanto a taxa aluguel varia de acordo com a disponibilidade de cada papel no mercado, com um mínimo de R$ 8,00 por liquidação realizada.

Esta segunda é uma percentagem calculada também ao ano, e é cobrada pró-rata – ou seja, varia de acordo com o período em que o investidor permanecer como tomador de determinada ação – e depende basicamente da demanda e da oferta por aluguel de ações daquela ação.

Assim sendo, o custo mínimo de um contrato de aluguel de ações para o investidor tomador é de R$18,00, porém, para informações mais precisas sobre determinada transação, é recomendável que o investidor entre em contato com sua corretora e solicite esclarecimento de tais custos.

Vantagens e desvantagens da operação

Basicamente, a maior vantagem nesse processo se faz presente para o doador, visto que este pode obter uma renda extra com as ações compradas e que mantém em carteira no longo prazo.

Em adicional, o emprestador também não deixa de receber eventuais proventos (juros sobre o capital próprio e dividendos, por exemplo) concedidos pela companhia emissora mesmo que seus ativos estejam temporariamente sobre a titularidade de terceiros, o que também pode ser interpretado como uma vantagem.

É importante destacar também que as operações de empréstimo de ações tendem a aumentar a liquidez do mercado, o que aprimora a sua eficiência no longo prazo e ainda tende a atrair mais investidores.

Para o tomador, muitos destes argumentam que, com o empréstimo de ações, especulações estruturadas com objetivo de beneficiar-se com a queda dos preços de determinador ativo podem ser realizadas e enxergam isso como uma vantagem, porém, como já salientamos anteriormente, tais operações envolvem altos riscos e podem representar grandes perdas para o especulador no curto prazo.

Como desvantagem, por parte do doador, o principal ponto é o fato do mesmo não poder se desfazer de suas ações enquanto as mesmas estiverem emprestadas, porém, como já sabemos, para o investidor de valor esse não seria um empecilho para a realização do empréstimo, visto que, para esses investidores, dificilmente uma posição é desfeita em sua carteira de investimentos.

Já para o tomador, novamente a principal desvantagem é o fato de operar vendido ser uma manobra que envolve altos riscos e que, num cenário não muito improvável, resulta numa perda completa ou até mesmo maior que o montante total aplicado na operação.

Conclusão

Para investidores que mantêm suas aplicações com o foco voltado no horizonte do longo prazo, a opção de empréstimo de ações pode ser interpretada como uma boa alternativa de aumentar os rendimentos de sua carteira.

Porém, é necessário que se procure saber antecipadamente junto à corretora, quais são suas taxas, tanto de rentabilidade quanto de corretagem para o doador (se houver).

Dessa maneira, certamente os resultados das aplicações de quem aluga suas ações podem apresentar um retorno – mesmo que modesto – mais satisfatório, contribuindo para a formação de uma carteira sólida e com rentabilidade e geração de renda passiva expressiva no longo prazo.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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