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Ações de dividendos não valorizam?

By 24 de maio de 2017 No Comments

Alguns investidores tem a falsa impressão que o investidor precisa optar entre empresas que valorizam ou empresas que pagam dividendos.

Neste artigo vamos provar que é possível ter os dois, ou seja: empresas que distribuem dividendos também valorizam.

Em fevereiro deste ano, escrevemos um artigo sobre as oportunidades que víamos em empresas que indicávamos aos nossos clientes.

De lá para cá, as ações indicadas no artigo apresentaram valorizam expressiva compara com os principais índices. As ações da Multiplus valorizaram 15%, enquanto as ações da Wiz Soluções (antiga Par Corretora) valorizaram-se 45%. No mesmo período o Índice Bovespa apresentou queda de 7% e a renda fixa (representada pelo CDI) valorizou cerca de 3%.

Ainda que seja um curto espaço de tempo para fazer uma análise definitiva, vemos que é possível que ações que paguem bons dividendos apresentem valorização expressiva.

Uma das ações com valorização mais expressiva desde a criação do Plano Real foram as ações da Souza Cruz (código em bolsa CRUZ3).

Esta fabricante de cigarros não existe mais como companhia listada em bolsa, mas era uma excelente pagadora de dividendos enquanto era listada. Tiago Reis, fundador da Suno Research, escreveu um artigo para o Infomoney tratando das qualidades desta empresa.

Souza Cruz não é a única pagadora de dividendos que se destaca em termos de valorização. As empresas do setor elétrico são conhecidas por serem, em sua maioria, excelente pagadora de dividendos.

As ações da Taesa, empresa líder no segmento de transmissão de energia, apresentaram excelente retorno para seus acionistas desde seu lançamento de ações em 2006. A empresa sempre se destacou entre as grandes pagadoras de dividendos, e mesmo assim sua valorização superou a da renda fixa e do IBOVESPA ao longo dos anos.

Outra empresa que se destaca por seu pagamento de dividendos é a Engie Brasil (antiga Tractebel Energia). Desde que começou a pagar dividendos, a empresa em raras ocasiões pagou menos de 6% de dividend yield aos seus acionistas. O elevado dividendo não impediu que as ações fossem um excelente negócio aos seus acionistas.

Reaplicação dos dividendos

Obviamente, para obter a valorização expressiva que essas ações obtiveram é importante que o investidor reaplique seus dividendos para que ocorra o efeito “bola de neve”, ou seja, o capital se componha de maneira acelerada ao longo do tempo.

Explicamos com profundidade sobre a importância da reaplicação dos dividendos em nosso Minicurso gratuito sobre Dividendos.

A reaplicação dos dividendos permite que o investidor acumule cada vez mais ações ao longo dos anos, e desta forma detenha cada vez mais ativos que paguem dividendos.

Menor Risco

Ações que pagam dividendos não apenas apresentam um excelente retorno ao longo do tempo. Elas fazem isso com um risco significativamente menor.

Geralmente as empresas que pagam dividendos são empresas mais saudáveis.

Empresas como Engie e Souza Cruz apresentam forte geração de caixa, com margens elevadas e estáveis. Mesmo em tempo de crise.

Além disso, o endividamento destas empresas costuma ser baixo. Empresas que pagam dividendos fazem isso, justamente pois existe poucas alternativas de destinação de sua geração de caixa. Enquanto empresas endividadas utilizam a geração de caixa para amortizar dividas, as empresas que não tem dividas e geram caixa podem usar esta geração operacional de caixa para distribuir dividendos.

Este menor risco se traduz também em uma menor volatilidade de suas ações.

Durante a crise imobiliária americana, em 2008, o IBOVESPA sofreu uma queda de mais de 50% em relação ao topo de suas cotações em maio de 2008. Já as ações da Souza Cruz valorizaram-se 1%, e as ações da Engie caíram “apenas” 15%.

Conclusão:

Portanto, é falsa a crença de que empresas que pagam dividendos não valorizam.

Além disso, é falsa a premissa de que empresas que pagam dividendos não crescem.

Para Luiz Barsi, é importante, além de analisar o dividend yield passado, analisar também a capacidade de pagamentos futuros de dividendos por uma empresa. Um dividendo maior no futuro costuma ser um importante indicador de rentabilidade de uma ação.


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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.