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    A importância do preço de entrada

    A importância do preço de entrada

    Recentemente, um de meus investidores favoritos, Mohnish Pabrai, palestrou na Califórnia para alunos da Guanghua School of Management, da Peking University, sobre sua filosofia de vida.

    Na palestra, realizada no dia 1 de maio de 2019, Pabrai transmitiu grandes ensinamentos sobre investimentos e sobre sua maneira de pensar. Recomendo que assistam à palestra completa, pois, no contexto deste texto, não cabe mencionar todos os ensinamentos que o grande investidor passa com suas palavras e, portanto, enfatizarei uma pequena parcela da palestra que traz um ensinamento valioso.

    Tal ensinamento se resume na seguinte questão: uma empresa excelente pode se mostrar um investimento ruim. Eis o porquê.

    Empresas excelentes geralmente apresentam vantagens competitivas, receitas e lucros crescentes e estáveis, margens elevadas e uma série de fatores que as colocam nesta posição. Deste modo, tais empresas atraem grande atenção dos investidores.

    Muitos analistas estão constantemente olhando para estas empresas que, frequentemente, são precificadas de acordo com sua qualidade. Não por acaso, muitas vezes elas são negociadas com múltiplos elevadíssimos, muito superiores à média do mercado.

    Há quem defenda que o preço não importa, entretanto, muitas vezes estes indivíduos não passam de charlatões que pouco sabem sobre investimentos. Mohnish Pabrai e Warren Buffett, discordam desta linha de raciocínio.

    Na última reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway, Buffett disse que “você sempre pode transformar um bom investimento em um mal negócio ao pagar caro demais”. Ao longo de sua palestra, Pabrai explica este ponto com maestria ao trazer o exemplo da Coca Cola, empresa mundialmente conhecida por sua excelência.

    Apesar de ser uma empresa muito bem gerida, que eleva suas receitas e lucros constantemente, próximo ao ano 2000, a empresa era negociada a mais de 40 vezes o lucro. Por mais que fosse uma companhia excelente, o preço não justificava o investimento.

    Caso você tivesse comprado as ações naquele ano e segurasse a posição até hoje, seus retornos anuais não superariam a marca de 3%. Caso tivesse comprado a ação em meados de 1998, dezoito anos depois, seu retorno seria nulo.

    Isso não significa que a empresa não cresceu. Pelo contrário, a empresa mais do que dobrou suas receitas e quase triplicou seus lucros. Entretanto, como disse Pabrai, uma boa empresa, que constantemente melhora seus resultados nem sempre é um bom investimento. E isso ocorre quando o investidor paga caro demais.

    Nesta situação, mesmo que a empresa entregue resultados satisfatórios, as elevadas expectativas no momento do investimento minimizam os retornos para os acionistas que, no caso da Coca Cola, acabaram permanecendo duas décadas sem grandes retornos.

    Este é o principal motivo de reforçarmos constantemente a necessidade de uma margem de segurança adequada para a realização de um investimento. Mesmo que você invista em uma companhia que não possua as características de uma companhia extraordinária, caso você consiga pagar o preço correto, com grande desconto em relação ao valor intrínseco, este pode se mostrar um investimento extraordinário.

    Sabemos, por exemplo, que a Unipar não é uma empresa mundialmente conhecida por sua excelência, como é o caso da Coca Cola, ou da Amazon. Entretanto, caso você tivesse realizado um investimento em 2016, quando o ativo estava sendo negociado a um preço extremamente descontado em relação ao seu valor intrínseco, seus retornos superariam em muito os retornos de investimentos em empresas reconhecidas por sua excelência e que são negociadas a patamares elevados.

    Isso não significa que empresas excelentes não podem ser bons investimentos. Caso o investidor consiga adquirir o ativo pelo preço adequado, considerando uma margem de segurança satisfatória, o investimento pode entregar excelentes retornos com riscos reduzidos. Entretanto, o investidor deve estar sempre atento ao preço inicial, pois, caso pague caro demais, como defende Warren Buffett, seu bom investimento se transformará em um mal negócio.

    Tiago Reis
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    1 comentário

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    • Elias 27 de junho de 2019

      Benjamin Graham fala muito sobre isso no livro O Investidor Inteligente.

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