Por: Tiago Reis

A Guerra Comercial

Recentemente os noticiários foram inundados com diversas manchetes sobre a Guerra Comercial entre os Estados Unidos e a China.

Apesar das notícias, muitas pessoas têm me questionado sobre o evento e boa parte delas não compreendeu realmente o que está acontecendo. Portanto, resolvi escrever um texto para explicar de forma simples e didática a evolução deste evento histórico que tem grande impacto na economia mundial criando diversas oportunidades e ameaças no contexto global.

Para compreender todo o contexto, vamos iniciar do começo. Antes de se candidatar para a presidência, Donald Trump já cultivava certas desavenças com os chineses, publicando diversas vezes no twitter que a China não era aliada ou amiga dos Estados Unidos. No dia 21 de setembro de 2011, por exemplo, Trump fez uma publicação afirmando que a China queria vencer os Estados Unidos.

Já em 2016, quando era candidato pelo Partido Republicano, Trump afirmou que “nós (Americanos) não podemos continuar permitindo que a China estupre nosso país e é isso que eles estão fazendo. Ela é o maior ladrão na história do mundo”.

Quando assumiu a presidência, Trump dificultou o relacionamento entre os Estados Unidos e a China, impondo, inicialmente, uma tarifa de 25% sobre todas as importações de aço, com exceção das importações vindas da Argentina, Austrália, Brasil e Korea do Sul.

Além disso, na mesma data, o governo americano estipulou uma tarifa de 10% sobre todas as importações de alumínio, com exceção dos produtos importados da Argentina e da Austrália.

Tal fato ocorreu no dia 23 de março de 2018 e rapidamente foi retaliado pelo governo chinês, que no dia 2 de abril do mesmo ano, estabeleceu tarifas que variavam de 15% a 25% sobre 128 produtos importados, o que prejudicou os Estados Unidos.

Uma série de movimentos estratégicos foram realizados pelos dois países nos próximos meses, até que no dia 1 de julho de 2018, o governo de Trump decidiu implementar a primeira tarifa específica para os produtos chineses. Foi iniciada a Guerra Comercial.

Nesta data, o governo americano impôs uma tarifa de 25% sobre 818 produtos importados da China, avaliados em US$34 bilhões. Em resposta, o governo chinês estabeleceu uma tarifa sobre 545 produtos importados dos Estados Unidos, avaliados em US$34 bilhões. Entre os produtos se encontram automóveis e produtos agrícolas.

Neste ponto o governo americano lança duas novas listas de produtos chineses que viriam a ser tributados pouco depois. O valor das importações dos produtos listados superava os US$200 bilhões e a tarifa, que inicialmente foi divulgada como sendo de 10%, rapidamente foi elevada para 25%, no dia 2 de agosto de 2018, o vigésimo oitavo dia da Guerra Comercial.

No dia seguinte – dia 3 de agosto de 2018 -, o governo chinês divulga uma lista com 5.207 produtos importados dos Estados Unidos que passariam a ser taxados com tarifas que variavam de 5% a 25%.

Pouco mais de um mês depois, os Estados Unidos ameaçam impor tarifas sobre todas as importações chinesas, que representavam US$517 bilhões. Menos de uma semana após a ameaça, no dia 12 de setembro de 2018, os Estados Unidos convidam a China para negociações.

As negociações não foram bem-sucedidas e menos de uma semana depois, no dia 17 de setembro de 2018, a ameaça feita pelos Estados Unidos se concretiza e os produtos chineses passam a ser tarifados a partir de 24 de setembro. Em resposta, o governo chinês impõe novas tarifas sobre os produtos importados dos Estados Unidos e cancela as conversas planejadas com o governo americano.

Neste momento, as perspectivas não pareciam nada boas em relação as negociações e os países passaram semanas sem contato, até que no dia 25 de outubro de 2018, os países retomaram as negociações.

As negociações evoluíram até que no dia 2 de dezembro de 2018, os Estados Unidos e a China entram em um acordo de trégua temporária, com o objetivo de reduzir as tensões comerciais. O acordo previa que ambos os governos não criariam tarifas ou aumentariam as tarifas existentes por 90 dias, até o dia 1 de março de 2019.

Por alguns meses, as negociações pareciam melhorar, entretanto, recentemente as tensões aumentaram, quando o governo americano ameaçou aumentar as tarifas sobre algumas importações de 10% para 25%, no dia 5 de maio de 2019.

A ameaça se tornou realidade no dia 10 de maio, quando o governo americano aumentou a tarifa sobre US$200 bilhões de importações de produtos chineses elevando o percentual de 10% para 25%. Nesta data, o Ministro do Comércio da China, Zhong Shan, anunciou que as medidas cabíveis seriam tomadas em resposta.

No dia 13 de maio, segunda-feira da semana passada, o governo chinês anunciou o aumento das tarifas sobre diversos produtos americanos.

Com o reaquecimento da Guerra Comercial surgem diversas incertezas acerca da economia mundial, o que pode trazer, também, diversas oportunidades de investimentos. As ações de empresas chinesas listadas na bolsa de Nova York (NYSE), sofreram forte queda na última semana mesmo que a guerra não tenha impactado significativamente suas atividades.

Você ainda não investe no exterior? Para conhecer oportunidades de investimento fora do país, assine o Pacote Internacional.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

Nenhum comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais...
Outras Seções

Ações

209 artigos
Ações

FIIs

54 artigos
FIIs

Minicurso Gratuito

Contabilidade Para investidores

Os principais conceitos sobre contabilidade que todo investidor precisa saber!

eBook Gratuito

Manual do Investidor

Tudo o que você precisa para dar os primeiros passos na Bolsa de Valores

CORONAVÍRUS, PETRÓLEO, ECONOMIA E INVESTIMENTOS. VOCÊ JÁ SABE O QUE FAZER?​