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Por: Jean Tosetto

A Bolsa reúne gente com dinheiro suado e produtivo

Produzir conteúdo para educação financeira não é fácil. É preciso ser didático, escolher a abordagem correta, ser transparente o tempo inteiro e tentar alcançar cada vez mais pessoas, muitas delas influenciadas negativamente por dogmas ideológicos poderosos, porém infundados.

Por Jean Tosetto

Seja você empregado numa fábrica, dono do próprio negócio ou profissional liberal, sei que a sua vida não é fácil. E você sabe, na pele, que ganhar dinheiro não é mole. Mais difícil pode ser poupar parte desse dinheiro no final do mês – pelo menos no Brasil, onde poucas pessoas conseguem fazer isso.

Menos pessoas, ainda, decidem levar parte dessa economia para a Bolsa de Valores. Dentro deste seleto grupo de pessoas com um CPF cadastrado na B3, boa parte sucumbe à tentação de especular. Como? Tentando comprar ações na baixa para vender na alta, ou quem sabe ansiando ganhar uns trocados com Day Trade – ou ainda se aventurando com derivativos.

Infelizmente, em função disso, muita gente que está do lado de fora da Bolsa enxerga esta instituição como um ambiente de jogatina, onde pessoas “ganham dinheiro sem produzir nada”. Isso não é espelho da verdade. Para começar, são raros os exemplos de indivíduos que ganham dinheiro com especulação. A maioria dos especuladores dura poucos meses na Bolsa.

Então, vamos nos ater a quem adota a postura de investidor, que leva seu dinheiro suado para Bolsa, ciente de que este dinheiro suado não se transubstancia milagrosamente em dinheiro fácil. O dinheiro suado pode ser valorizado via renda variável? Sim. Mas continuará sendo um dinheiro suado, resultado de investimento, não de especulação.

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Investidores são participantes da geração de renda para não investidores

A postura do investidor consciente, que sabe que seu dinheiro não brotou no chão, é associar-se com grandes empresas, de sólidos fundamentos, além de fundos imobiliários eficientes. Os investidores precisam da Bolsa para tornarem-se parceiros de empreendedores, que por sua vez precisam da Bolsa para ofertar as ações de seus negócios, captando recursos essenciais para seus projetos.

Ações de empresas e cotas de fundos imobiliários não são meros bilhetes de loteria ou fichas de cassino: são frações de empreendimentos que visam lucros. Os lucros são resultados da entrega de produtos para a sociedade, na forma de bens de consumo ou prestações de serviços. Quando os lucros são repartidos com os sócios – acionistas ou cotistas – temos os dividendos.

No meio do caminho, empregos são gerados e impostos são pagos. Ou seja, a Bolsa é benéfica para a sociedade como um todo, até para quem não investe. Parte do que o governo emprega em obras públicas é patrocinada por impostos oriundos do mercado financeiro. Muito do que consumimos foi ofertado por empresas ou fundos imobiliários da Bolsa.

Se, ainda assim, você concorda que a Bolsa é um lugar para pessoas que desejam ganhar um dinheiro fácil, tente ficar alguns dias sem consumir nada produzido por alguma empresa de capital aberto.

O mundo sem as Bolsas ainda estaria na Idade Média

Para começar, desligue a luz da sua casa, pois provavelmente a empresa que gerou a energia elétrica, ou fez sua transmissão e a sua distribuição, tem ações negociadas na Bolsa de São Paulo.

Você usa o Google para pesquisar qualquer coisa? Tem perfil no Facebook ou Twitter? Quem sabe um canal no YouTube? Esqueça tudo. São negócios globais com ações disponíveis nas Bolsas dos Estados Unidos. A propósito, cancele seu pacote para visitar a Disney, também.

Você bebe refrigerante? Cerveja? Então, quando você compra essas bebidas, a chance de você colocar dinheiro no bolso de um investidor atuante no mercado financeiro, lá na frente, é muito grande.

A grande rede de supermercados pode ter capital aberto na Bolsa. O galpão de logística que estocou o produto pode pertencer a um fundo imobiliário. A transportadora da bebida e a fabricante: ambas podem ser empresas com capital aberto, também. Não esqueça dos bancos, que fornecem suporte para o capital de giro de todos os agentes envolvidos.

Todos nesta cadeia produtiva são beneficiados, inclusive o acionista. Pois saiba que você pode atuar nas duas pontas dela: como consumidor e como acionista. Por causa da Bolsa de Valores, você pode. Seu suado dinheiro, fruto do seu trabalho e diligentemente economizado, pode ser convertido em participações muito produtivas, via mercado de capitais.

A importância dos fundos imobiliários

Mesmo quando você compra cotas de um fundo imobiliário que investe em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), estará ajudando gente que nunca viu na vida. Uma operação de CRI pode estar vinculada ao projeto de um loteamento residencial, cuja incorporadora, graças ao suporte do fundo imobiliário e de seus milhares de cotistas, consegue financiar a venda do lote diretamente para o comprador, mesmo num momento difícil da economia, quando os bancos fecham as linhas de crédito para pessoas físicas.

Então, o sujeito que compra um terreno parcelado em 60 vezes, para alimentar o sonho da casa própria, alimenta também o pagamento de juros da incorporadora para o fundo imobiliário, que repassa a divisão regulamentar desse bolo para seus cotistas. Será que esses investidores não produziram nada?

Investindo em Fundos Imobiliários

O ciclo virtuoso e produtivo do dinheiro aportado na Bolsa

O investidor precisa entender que o dinheiro que cai na conta da corretora de valores, oriundo de dividendos, não surgiu num passe de mágicas, não foi roubado e não foi fruto da exploração dos outros. Foi também um dinheiro suado? Sim, mas foi sobretudo um dinheiro honesto. Afinal de contas, lucrar honestamente não é pecado.

Vale a pena compreender o ciclo do capital que circula pela Bolsa de Valores, do ponto de vista do pequeno investidor como pessoa física: 1) O investidor ganha dinheiro com alguma atividade rentável. 2) Após pagar todas as contas – inclusive os impostos – o investidor economiza parte desse dinheiro, que é levado para o mercado de capitais. 3) Após análises criteriosas, o dinheiro é aportado em empreses e fundos imobiliários – FIIs – com fluxo de caixa saudável. 4) De tempos em tempos, estas empresas e FIIs remuneram o investidor, repartindo uma porcentagem dos seus lucros, por meio dos dividendos. 5) O investidor soma seus proventos com o dinheiro economizado em determinado período, para reinvestir em novas cotas e ações. 6) Deste modo, o poder dos juros compostos é ativado sobre um montante de capital, cuja origem é essencialmente produtiva. 7) O ciclo se reinicia indefinidamente.

A renda variável varia: para cima ou para baixo

Além do que acabamos de descrever, o que pode acontecer com as ações de empresas e cotas de fundos imobiliários? Elas podem se valorizar além daquilo que suas atividades entregam, em função do contingente de investidores e especuladores que enxergam potencial de crescimento nestes negócios, abrindo possibilidades de lucros adicionais para o investidor. Isso é algo que ele pode controlar? Não. Isso é motivo para ele sentir algum tipo de remorso? Claro que não. Esse tipo de valorização das cotações é um bônus para pessoas diligentes.

O contrário também pode acontecer: a desvalorização das ações e cotas contidas na carteira de um investidor. Porém, se este se restringir aos fundamentos dos empreendimentos, verificando que eles continuam válidos, não terá motivos para se preocupar. Pelo contrário, será possível comprar mais participações nestes negócios, com preços descontados. Novamente: isso é algo que o investidor pode controlar? Não. Se ele fez a parte dele, que seja premiado com a possibilidade de aumentar suas posições em atividades lucrativas.

Ocorre que essa postura de investimento, ao contrário das práticas especulativas, não promete enriquecimento rápido. No começo, os dividendos recebidos por um investidor podem ser irrisórios. Um longo tempo acumulando aportes regulares é necessário para que a bola de neve dos juros compostos ganhe um corpo perceptível – o que só reitera o argumento: na trajetória de um investidor, não existe dinheiro fácil. Suor, disciplina e paciência são ingredientes necessários nesta receita.

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Quem joga só para a torcida não ganha campeonato

Além de tudo, os investidores de valor, com foco no longo prazo, são quase como uma irmandade clandestina no Brasil, que precisa conviver com os preconceitos em torno de suas posturas.

Para um pós-adolescente, pode parecer bonito e romântico bradar contra o sistema capitalista nas redes sociais. Muita gente ingênua não se dá conta de que elas só conseguem expressar sua contrariedade perante a livre iniciativa privada, pois foi a própria iniciativa privada, estruturada pelo mercado financeiro, que lhe deu condições para fazer isso.

Porém, não se combate ignorância com mais ignorância. A desinformação deve ser combatida com informação, assim como a escuridão só pode ser combatida pela luz, não com mais escuridão. Quando um investidor compreende o correto funcionamento da Bolsa de Valores, logo ele fica apaixonado pelo seu mecanismo de geração de riquezas. Porém, essa paixão não pode dominar seu comportamento.

Num país tão carente de educação em todos os sentidos, é quase um dever de todo investidor, com sua jornada bem encaminhada, agir como uma caixa de ressonância daquilo que ele vem aprendendo ao longo dos anos, de forma serena e cordata – sem arroubos histriônicos, mas sempre com argumentos bem fundamentados.

Quem sabe assim, com persistência e obstinação, teremos cada vez mais investidores no mercado financeiro brasileiro, aumentando, cada vez mais, os benefícios para toda a sociedade.

A casa de research que respeita você e seu dinheiro

Se você ainda não tem um real sequer aportado em Bolsa de Valores, a Suno quer te ajudar. Conheça o programa Suno Start, “uma assinatura elaborada para o investidor que quer começar a investir o seu dinheiro e aprender como fazer isso da melhor forma possível”. Visite:

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Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.

7 comentários

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  • paulo campos 14 de julho de 2020

    Boa noite Jean,

    obrigado por continuar a nos instruir e incentivar ao longo deste período.

    Felicidades.

    Responder
  • Ademar 14 de julho de 2020

    Parabéns pelo excelente texto! ??????

    Responder
  • Leandro 15 de julho de 2020

    Parabéns muito bom.

    Responder
  • Antonio Filho 15 de julho de 2020

    Muito feliz de ter lido este texto. Ele transcreve de maneira muito feliz a verdade sobre os investimentos (estudo, trabalho duro e tempo). Parabéns ?????

    Responder
  • Alisson 15 de julho de 2020

    Melhor texto que li em 2020. Reflexão muito boa ??????. Vou compartilhar para chegar no maior número de pessoas possível.

    Responder
  • Rodrigo Almeida 15 de julho de 2020

    Belo artigo!!

    Obrigado, Jean

    Responder
  • daniel pedrazi 15 de julho de 2020

    Excelente texto. Vou salva-lo para poder divulgar quando alguém começa a criticar o mercado de capitais sem ter fundamento algum pra isso

    Responder
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