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7 coisas que aprendi com Luiz Barsi

By 17 de março de 2017 No Comments
7 coisas que aprendi com Luiz Barsi

atualizado em 14/09/2017

Por volta de 2010, eu era co-gestor de um fundo de investimento especializado em ações e tínhamos uma posição em uma empresa chamada Eternit.

Um dia toca o telefone, a secretária atende e pergunta para mim: ”Tiago, o Luiz Barsi quer falar com você. Posso transferir? “

Eu ainda não conhecia o Barsi, conhecia apenas de nome, pois era um dos maiores e mais respeitados investidores do Brasil.

Obviamente, aceitei a ligação.

Eu aceito a ligação de qualquer um, menos telemarketing. Como não aceitaria a ligação de um dos principais investidores do Brasil?

Eu até hoje brinco, que não fui eu que conheci o Luiz Barsi, mas ele quem me conheceu. Afinal, foi ele quem me ligou a primeira vez.

Ele queria falar sobre a Eternit. Éramos possivelmente o quarto ou quinto maior acionista da empresa e ele era o segundo maior.

Eu queria conhecê-lo pessoalmente, portanto falei que a ligação estava falhando e se podíamos nos encontrar pessoalmente. Haveria naquela semana um almoço oferecido por uma empresa que ele era acionista, o Grupo Ultra, e sugeri de irmos naquele almoço e lá conversarmos sobre a Eternit.

Na conversa deste almoço, chegamos ao consenso de que a empresa estava indo para um caminho perigoso, com uma gestão que pagava salários aos diretores que cresciam mais que os resultados e fazia investimentos em áreas de risco para a empresa.

Mas naquele momento decidimos não fazer nada. Mesmo porque, com a valorização das ações da empresa eu havia decidido vender a minha posição já em 2011.

Ficamos um tempo sem nos falarmos e em 2014 surgiu uma oportunidade comprar as ações da Eternit que haviam caído naquela época.

Desta vez, eu me aproximei do Luiz Barsi e tentamos mudar os rumos da empresa junto com outros acionistas. Este evento foi reportado pela EXAME e pelo competente jornalista Geraldo Samor.

Infelizmente, nós não conseguimos convencer um número suficiente de acionistas de que a empresa precisava mudar de rumo e não conseguimos a maioria necessária no conselho para aprovar a mudanças de gestão que seriam necessárias.

O tempo provou que estávamos certos, e a empresa passou de lucro para prejuízo por conta de falhas na gestão.

Deste episódio surgiu um respeito grande e uma convivência que me fez aprender muitas coisas, entre elas destaco:

A) Disciplina:

Eu não conheço ninguém mais disciplinado que o Barsi. Ninguém. Pelo menos em relação às questões financeiras.

Atribuo o sucesso que ele tem mais a disciplina do que a capacidade analítica, que também é apurada.

Mesmo com todas as conquistas que ele obteve ele continua indo trabalhar de metrô. Não frequenta restaurantes caros, e suas férias são em lugares que ele gosta e não são lugares caros.

Se você tiver a disciplina, e capacidade de poupar que ele tem, com certeza vai longe.

B) Paciência:

Ele não tem pressa. Se as condições de mercado não são favoráveis para comprar ações ele espera pacientemente.

Ele usa uma analogia interessante: fala que se comporta como um jacaré com a boca aberta esperando o passarinho vir pousar na boca dele.

Exatamente assim que o Barsi investe, deixa as ordens de compra em um preço bem baixo, e fica esperando alguma crise que gere uma pressão vendedora ir atrás da sua ordem de compra.

O Brasil é um pais rico em crises, então não demora muito para suas ordens serem executadas nas mínimas e sua paciência ser recompensada.

C) Não seja um “patrocinador”:

Patrocinador é aquele que consome algo pelo status que um produto tem e não pela sua função.

Ou seja, quem compra uma BMW esta patrocinando as vendas e lucros da BMW.

Quando for consumir, se possível, escolha um produto pela sua função e não pela sua marca e visibilidade.

D) Racionalidade em momentos de stress:

O Barsi é o cara mais tranquilo em momentos de stress de mercado que eu conheço.

Em 2013, A Dilma passou uma medida provisória que inviabilizava a lucratividade de diversas empresas do setor elétrico.

O que o Barsi fez? Comprou ações de diversas ações do setor elétrico e enquanto todos os investidores se revoltavam com as decisões da presidente, ele falava o contrário: que a Dilma merecia um beijo na boca.

Isto é ser racional e não se desesperar em uma crise, ao contrário da maioria dos investidores.

E) Conhecer as empresas:

Isto é algo que eu já fazia, mas a convivência com o Barsi apenas reforçou esta crença.

A visita às empresas e reuniões publicas são fundamentais para adquirir o conhecimento necessário para tomar boas decisões de investimento.

Como você vai investir em uma empresa que você não conhece?

Nessas reuniões você entende melhor a cabeça da diretoria destas empresas, quais são seus planos de expansão e melhorias, quais são as expectativas de dividendos, etc.

F) Foco no dividendo:

As empresas que pagam dividendos têm algumas caraterísticas interessantes.

Geralmente são empresas com modelos de negócios já testados e consolidados, com um posicionamento de mercado diferenciado e, geralmente, possuem endividamento menor do que a média.

Além disso, a rentabilidade das empresas é elevada e por conta disso estas empresas tem maior margem de manobra durante crises que não são raras no Brasil.

G) Network:

Ao contrário do que muitos possam imaginar o Barsi não tem uma equipe de analistas gigantesca que ajuda a tomar decisão. Ele trabalha de uma corretora e trabalha junto com outros corretores ao seu lado. Quem faz a maioria das análises é ele mesmo.

Porém, o Barsi tem um network muito bom. E boa parte das oportunidades de negócios que ele investe surgem de conversas com outros investidores que ele tem abertura.

Como exemplo, ele adquiriu 1% de uma empresa do setor de locação de automóveis após um telefonema com um investidor que apresentou o caso de investimento para ele. Totalmente na confiança. Estas ações dobraram de preço em um ano.

Em dezembro de 2016, as ações da PARC3 estavam em queda e pagando um bom dividendo. Eu falei para o Barsi que esta ação tinha o perfil de ação que ele gosta, empresa saudável e que paga dividendos. Ele comprou um pouco dessas ações, e foi um excelente negócio.

Este tipo de negócio aparece para quem tem uma boa rede de relacionamentos e está disposto a ouvir os outros, ainda que sejam investidores menores.

Obviamente, ele também sempre deu boas indicações para mim, como Vale que infelizmente não comprei, e Taesa que eu comprei.

Desta forma, eu também me beneficiei de ter um bom relacionamento com ele. Foi um ganha-ganha. Network bom é assim que se faz.

Conclusão:

A partir desses 7 ensinamentos de Luiz Barsi, podemos entender um pouco mais sobre a sua filosofia de investimento que o levou a se tornar um dos maiores, senão o maior, investidor pessoa física do Brasil.

Buscar inspiração e se espelhar em grandes nomes que obtiveram sucesso é de grande importância em qualquer que seja o ramo, no mundo dos investimentos não é diferente.

Visto isso, fizemos um Especial sobre Luiz Barsi, para quem está interessado em aprender ainda mais sobre esse investidor de valor tão reconhecido no Brasil.

 


Essas foram apenas algumas lições que tive com o Luiz Barsi, obviamente existem outras, mas acredito que essas são as principais.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.