As últimas semanas têm sido de bastante volatilidade no mercado, e o Ibovespa,, que há poucos meses vivia uma forte onda de otimismo, negociando em um topo histórico de mais de 87 mil pontos, desde meados de maio vem sofrendo quedas bastante expressivas, refletindo um grande pessimismo dos investidores, também fortemente influenciado pela greve dos caminhoneiros.

O gráfico abaixo não deixa dúvidas quanto ao momento de pessimismo no mercado, e o Ibovespa, que negociava a cerca de 86.500 pontos no dia 16 de maio, atualmente, encontra-se abaixo dos 70 mil pontos, uma queda de cerca de 20% em um curto intervalo de tempo.

Liderado por expressivas desvalorizações dos papéis da Petrobras, que acumulam uma desvalorização de mais de 40% nos últimos 30 dias, além de forte retração das ações de bancos, que possuem uma grande participação no índice, o Ibovespa acabou devolvendo toda a sua valorização, que vinha sendo construída em 2018, e acumula uma queda de mais de 6% no ano.

Apesar de movimentos dessas magnitudes e velocidade geralmente assustarem muitos investidores, sobretudo os que iniciam no mercado de ações, esses momentos acabam por criar ótimas oportunidades para quem está de olho no longo prazo.

Isso se dá porque, de maneira geral, como as ações têm seus preços depreciados expressivamente nesses momentos, os seus múltiplos se tornam muito mais atrativos, entregando também margem de segurança muito maior para o comprador.

Além disso, empresas de elevada rentabilidade sobre patrimônio, forte geração de caixa e gestões de alta qualidade acabam seguindo na “esteira” de todo esse movimento e também se desvalorizam, mesmo com balanços fortes e crescimento operacional.

Geralmente, essas empresas negociam com múltiplos mais elevados e a preços mais caros, mas, nesses momentos, o investidor também consegue comprá-las por preços bem interessantes.

Assim, pode-se dizer que, enquanto os impacientes e especuladores fogem do mercado, entregando seus ativos “de bandeja” neste momento conturbado, investidores inteligentes e pacientes, focados no longo prazo, aproveitam para acumular mais papéis de boas empresas, comprando mais ativos por menos.

Por isso, costumamos dizer que a volatilidade deve ser comemorada e aproveitada como um verdadeiro momento de promoções no mercado, e não encarada de forma negativa.

Dividend Yield aumenta nos momentos de quedas

Um reflexo direto da maior atratividade das ações, nesses momentos, para quem deseja acumular mais papéis, é a elevação do Dividend Yield, que representa a relação dos dividendos pagos por ação e o preço da ação.

Quando os preços sofrem além do normal, essa relação (DY) aumenta, fazendo com que esse indicador também evolua, tornando muitas ações muito mais atrativas para quem visa a geração de renda.

Na prática, a renda que o investidor pode gerar para cada real investido, comprando ações em queda, tende a aumentar, fazendo com que o investidor necessite desembolsar menos dinheiro para ter acesso a esse fluxo de rendimentos.

Para exemplificar, podemos imaginar uma ação que custa R$ 10,00 e paga R$ 0,50 por ação ao ano em dividendos. O seu dividend yield, neste preço de R$ 10,00, será de 5%, que é justamente a representatividade dos R$ 0,50 no preço de R$ 10,00.

Agora, se imaginarmos que as ações dessa empresa caíram para R$ 7,00 e ela continue pagando R$ 0,50 ao ano em dividendos, o seu dividend yield já aumentou para 7,14%.

Ou seja, se antes o investidor comprava um lote de ações, desembolsando R$ 1.000,00, por exemplo, para receber R$ 50,00 no ano, após a queda, caso o investidor resolva comprar os mesmos R$ 1.000,00, agora terá uma renda de R$ 71 ao ano sobre essa aplicação.

Com isso, o investidor consegue acumular mais papéis pagando menos, e, assim, obviamente, consegue elevar a sua geração de renda, já que seu número de papéis em carteira aumenta.

Podemos também tomar como um exemplo real o caso recente das ações PN do Itaú (ITUB4), que apresentam uma queda de mais de 20% nos últimos 30 dias, com as ações saindo de mais de R$ 50,00 para menos de R$ 39,00.

No gráfico abaixo, fica nítida essa correlação do dividend yield e o preço da ação. O gráfico superior representa o preço da ação, e o inferior, o Dividend Yield do papel naquele momento.

Pode-se perceber claramente que, especialmente com a queda dos últimos 30 dias, o dividend yield atingiu um patamar bastante elevado, próximo de 8%, sendo que vinha negociando, meses atrás, a muito menos.

Assim, hoje o investidor consegue comprar ações do banco mais rentável do país, e um dos mais rentáveis do planeta, e ainda garantir dividendos bastante atrativos, o que não é muito comum para empresas dessa qualidade e porte.

Basicamente, essa elevação do dividend yield da qual falamos é um dos principais fatores que explicam porque grandes investidores, como Luiz Barsi Filho, por exemplo, ficam tão felizes com as quedas das ações, mesmo com seus patrimônios se desvalorizando momentaneamente.

Barsi sabe que esses momentos são os melhores para comprar ações, justamente porque consegue obter retornos mais elevados em dividendos, e também porque garante um potencial maior de upside e valorização.

Quando a volatilidade vai embora, (e acredite, ela irá), o investidor que aproveitou esses momentos únicos para ir às compras pode ver seu patrimônio se valorizar de forma expressiva e, obviamente, ver seu fluxo de dividendos muito maior, fruto de suas compras naqueles momentos em que tantos entregavam seus ativos a preço de nada.

4 ações que pagam dividendos maiores que 8%

Como vimos, momentos de queda são excelentes oportunidades para os acumuladores de ações de longo prazo, e esses períodos não podem passar em branco para os bons investidores de longo prazo.

Infelizmente, na prática, muitos investidores, especialmente os que estão iniciando, ainda não sabem analisar muito bem quais as ações que acabam apresentando yields maiores nesses períodos, e não conseguem identificar essas oportunidades.

Sabendo disso, e aproveitando o momento de volatilidade do mercado para auxiliar os investidores, resolvemos listar 4 ações de que gostamos e que devem pagar dividendos superiores a 8% nos próximos 12 meses.

Com a Selic (ainda) em torno de 6,5%, um dividend yield de 8% é, simplesmente, bem superior à taxa básica de juros, o que perfaz um retorno muito interessante para quem deseja obter geração de renda passiva, fruto de atividades de empresas sólidas.

Veja abaixo as ações que separamos neste artigo:

Taesa S.A – TAEE11

A Taesa, empresa que atua no segmento de energia elétrica, na operação de linhas de transmissão, é uma Companhia que deve entregar ótimos dividendos nos próximos 12 meses.

Por ser uma forte geradora de caixa, uma empresa muito lucrativa, que opera com margens elevadas (Margem Ebitda de quase 90%), e estar sendo negociada com um ótimo desconto, as ações da Taesa são ótimas opções para dividendos.

A expectativa é que os papéis entreguem um dividend yield de mais de 11% para os próximos 12 meses, beneficiada também pelo avanço do IGP-M, que corrige grande parte do seu ativo financeiro e suas receitas.

Multiplus S.A – MPLU3

A Multiplus é uma empresa que atua no segmento de programas de fidelidade e opera uma rede de fidelidade composta por diversas empresas parceiras, sendo a principal delas a Latam.

Historicamente, a empresa sempre conseguiu crescer seus resultados, sem deixar de lado o pagamento de dividendos, sendo que a companhia costuma destinar 100% dos seus lucros aos acionistas.

Como os papéis, atualmente, estão baratos, e a empresa é uma ótima geradora de caixa, o dividend yield da Multiplus se tornou bastante atrativo. A expectativa é que o Dividend Yield da empresa, para os próximos 12 meses, será de 9%.

Itaúsa S.A – ITSA4

A holding controladora do Itaú também é um exemplo de ótima empresa que, após desvalorizações constantes nas últimas semanas, passou a negociar com um yield interessantíssimo.

Com a expectativa do Itaú de manutenção de Payout elevado, visto que não pretende trabalhar com excesso de capital, além de um crescimento nos lucros, o Itaú deve continuar pagando ótimos dividendos e, obviamente, a Itaúsa se beneficiará disso.

Assim, projetamos um yield em torno de 8% para Itaúsa nos próximos 12 meses.

CTEEP S.A – TRPL4

Finalizando a nossa lista do artigo de hoje, citamos como boa oportunidade para dividendos a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, a CTEEP.

A empresa, que atua no segmento de transmissão de energia e é uma forte geradora de caixa,  recentemente indicou que pretende destinar maiores parcelas dos seus lucros aos acionistas.

Com isso, a TRPL4, que é uma empresa também bastante lucrativa e rentável, deve entregar dividendos interessantes, e seu dividend yield para os próximos 12 meses é superior aos 8%.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.