3 ações de baixa volatilidade

Quando se fala sobre o mercado de ações, é comum as pessoas associarem o mercado à alta volatilidade, onde os preços das ações oscilam de forma expressiva a todo momento e em pouco tempo o investidor pode perder ou ganhar bastante dinheiro.

Essa volatilidade tanto pode ser positiva quanto negativa, porém por conta da possibilidade de retrações de preços das ações, e a crença de que se pode “perder tudo” de uma hora para outra, o mercado ainda acaba tendo muito poucos participantes, ou seja, investidores.

A crença de que o mercado de ações é um “cassino”, onde se está expondo os investidores a um grande risco essencialmente, vem prejudicando o crescimento do mercado acionário ao longo do tempo e hoje ainda o nosso mercado acionário é um dos menores em termos de participação da população.

Felizmente as coisas não são bem assim como dizem por aí e existem formas de o investidor navegar esses “mares” de forma mais tranquila, se protegendo de tanta volatilidade e oscilação de preços.

Abaixo falamos um pouco mais a respeito.

Investir na bolsa com menor volatilidade é possível!

É fato que existem ações de empresas extremamente voláteis sendo negociadas na bolsa de valores, onde pode-se verificar facilmente oscilações de 50% ou até mais em questão de semanas, ou até dias, mas felizmente, nem todas são assim.

O que normalmente muitas das pessoas não levam em conta é que nem todas as ações se comportam da mesma forma, e é possível investir no mercado correndo um menor risco, se expondo menos à volatilidade e às oscilações do mercado.

Geralmente, empresas saudáveis, inseridas em segmentos menos expostos aos ciclos da economia e que possuem margens atrativas, uma maior recorrência de vendas e faturamento, com uma lucratividade consistente, são empresas que naturalmente apresentam uma menor volatilidade e também acabam apresentando um retorno mais sustentável e consistente no longo prazo.

O estudo “The Volatility Effect: Lower Risk Without Lower Return”, de David Blitz e Pim van Vliet, publicado no “Journal of Portfolio Management” em 2007, estudou os retornos de ações pouco voláteis em comparação com as que possuem uma alta volatilidade e concluiram que ações menos voláteis apresentam um retorno maior no longo prazo em inúmeros mercados ao redor do mundo.

Para nós a conclusão desse estudo faz todo sentido e não nos surpreende, visto que esse perfil de empresa geralmente se encontra inserida em setores perenes, possuem uma boa geração de caixa e pagam bons dividendos.

Por outro lado, empresas que atuam em segmentos muito cíclicos da economia, como o setor de commodities, por exemplo, ou mesmo o setor de construção civil, são empresas que naturalmente apresentam uma volatilidade mais elevada.

Além disso, empresas muito endividadas, que estão com um balanço frágil, em uma situação deteriorada, são empresas que naturalmente podem apresentar uma volatilidade muito maior, justamente por apresentarem um risco estrutural bem mais elevado.

Podemos citar como exemplo uma empresa conhecida como a Gerdau, empresa que atua no segmento siderúrgico, que é altamente cíclico e depende muito da atividade econômica interna, da demanda de clientes estrangeiros e dos preços das commodities.

Além disso, a empresa encontra-se com um endividamento relativamente elevado, com uma dívida líquida de mais de R$ 13 bilhões. Essa combinação de endividamento expressivo com um setor cíclico geralmente representa algum perigo.

Ao longo do tempo, a Gerdau apresentou inúmeros picos de valorizações e desvalorizações expressivas, demonstrando ser um ativo bastante volátil.

Na crise de 2008, por exemplo, as ações da Gerdau chegaram a custar R$ 9,80, saindo de um patamar de mais de R$ 35,00, o que representa uma queda de mais de 70%, como podemos ver no gráfico abaixo.

GGBR4

Após ter se recuperado fortemente no ano seguinte, posteriormente as ações da empresa continuaram a apresentar um comportamento altamente volátil, reflexo das oscilações dos preços das commodities, do dólar, dos volumes exportados e da grave crise econômica a qual o país enfrentou, que prejudicou bastante os resultados da empresa.

Podemos ainda citar inúmeras outras empresas que apresentam uma volatilidade elevada, inclusive de grandes empresas como Petrobras, Vale, por exemplo.

Por outro lado, como falamos, empresas em segmentos menos cíclicos, que estão saudáveis, que geram muito caixa, e pagam bons dividendos, são empresas que naturalmente apresentam uma volatilidade menor e entregam bem mais previsibilidade ao investidor.

Como exemplos de segmentos anticíclicos podemos citar os setores de energia elétrica, combustíveis, bebidas, dentre outros.

Sabemos que investir em ações para ter grandes preocupações com volatilidade e grande exposição ao risco não é benéfico ao investidor, e por conta disso, enumeramos abaixo algumas empresas que apresentam uma volatilidade histórica reduzida e que são boas empresas, que deverão entregar bons retornos para o investidor no longo prazo.

Ambev S.A – ABEV3

A Ambev é, sem dúvida, uma empresa de excelência em termos operacionais e administrativos, e cresceu muito ao longo do tempo, o que a fez hoje assumir posições de destaque no mercado brasileiro, e em mercados estrangeiros também, com liderança de marketshare no mercado de cerveja e posição de destaque no mercado de bebidas e refrigerantes.

A Ambev é um exemplo de empresa inserida em um segmento anticíclico que apresenta uma baixa volatilidade, e considerando os últimos anos, dentre empresas líquidas listadas em bolsa, é a que menos apresentou volatilidade

A companhia que atua no segmento de bebidas apresenta uma grande previsibilidade e recorrência de receitas, o que confere a ela uma maior estabilidade e sustentabilidade de margens e lucratividade.

Mesmo em períodos de crise, com inflação elevada e maiores índices de desemprego, muitas pessoas continuam consumindo seus produtos, mesmo que em uma menor intensidade, e além disso, a empresa normalmente consegue repassar a inflação em seus produtos, trazendo uma proteção ao faturamento da empresa.

Podemos notar que a Ambev apresentou uma baixa volatilidade ao longo do tempo, e na crise de 2008 por exemplo, no mês de outubro, a Ambev viu suas ações caírem cerca de R$ 4,20 para cerca de R$ 3,40, o que representou uma queda aproximada de cerca de 20%, muito abaixo de outras empresas e da média do mercado, por exemplo.

ABEV3

O ibovespa, mesmo representando a média de inúmeras empresas, nesse mesmo mês de outubro de 2008 sofreu uma queda de mais de 42%.

Vemos a Ambev como uma ótima opção de investimento para quem deseja investir em ações de forma mais tranquila, através de uma ótima empresa, recebendo dividendos e obtendo uma rentabilidade diferenciada no longo prazo.

Vivo S.A – VIVT4

A Telefônica Brasil é a maior empresa de telecomunicações do Brasil, com quase 100 milhões de clientes em inúmeras regiões do país, possuindo um marketshare de mais de 30%, sendo líder em seu segmento, ainda mais após a aquisição das marcas GVT e Vivo, marcas de destaque no país.

A companhia apresenta uma geração de caixa constante e bastante previsível, por estar inserida em um segmento anticíclico, pouco afetado pelas crises econômicas e que possui alta recorrência de negócios.

A empresa também sempre foi lucrativa e boa pagadora de dividendos, sendo uma ótima opção de empresa conservadora e previsível para longo prazo.

Curiosamente, demonstrando o seu comportamento anticíclico e sua baixa volatilidade, as ações da Vivo apresentaram valorização em pleno mês de outubro de 2008, no auge da crise internacional.

VIVT4

Sendo assim, a empresa é mais uma evidência de que empresas saudáveis, com forte geração de caixa e histórico de lucratividade se comportam de forma muito mais tranquila em períodos turbulentos.

COCE5 – Enel Distribuição Ceará

A Enel Distribuição Ceará, conhecida anteriormente como Companhia Energética do Ceará (COELCE), é uma empresa listada na B3, focada nos segmentos de distribuição e geração de energia elétrica, com atuação em todo o estado do Ceará e sede em Fortaleza.

 

A Enel é uma empresa bastante rentável e apresenta atualmente um ROE (Retorno sobre patrimônio líquido) de mais de 17%, um dos maiores em seu segmento, sendo uma empresa que historicamente apresenta resultados crescentes, sem deixar de lado o pagamento de bons dividendos.

Se beneficiando de um setor com bom potencial de crescimento no estado do Ceará, investindo de forma eficiente e inteligente e com uma boa gestão, a empresa entregou resultados expressivos aos seus acionistas nos últimos anos, e também com uma volatilidade mais reduzida que a média da bolsa.

Podemos verificar abaixo o retorno extremamente expressivo que as ações da Coelce apresentaram, considerando também o pagamento de dividendos.

COCE5

Mesmo em empresas sólidas, alguma volatilidade sempre existirá

Vale lembrar que mesmo as empresas sólidas, anticíclicas e lucrativas, também apresentarão alguma volatilidade ao longo do tempo, embora muito menor que a média do mercado ou que empresas mais arrojadas.

No entanto, é importante ter em mente que investir em empresas com esse perfil que citamos no artigo, se por um lado protegerão o investidor de grandes quedas e oscilações patrimoniais negativas, também não entregarão valorizações expressivas, em especial no curto e médio prazo.

Se imaginarmos que o Ibovespa venha a subir 20% em um mês, é provável que empresas de baixa volatilidade subam muito menos, mas obviamente, também apresentarão quedas bem menores em períodos de grande estresse.

Na média, porém, o investidor deverá obter uma boa rentabilidade no longo prazo e terá noites mais tranquilas de sono.

Para finalizar, deixamos claro que o investidor deve sempre acompanhar o desempenho operacional das empresas que resolveu ser sócio, justamente para verificar se seus fundamentos continuam sólidos e também para continuar sentir-se seguro com o investimento.

 

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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